O mercado farmacêutico na América Latina, com movimentação anual de US$ 197 bilhões (R$ 1,09 trilhão), está projetado para ser o mais dinâmico globalmente até 2027, segundo o relatório InFigures da PharmaBoardroom.
Estima-se um crescimento médio superior a 22% durante esse período, muito acima da média global de 7,8%. Em contraste, os mercados desenvolvidos devem experimentar um avanço mais modesto.
O estudo também oferece uma análise detalhada do mercado farmacêutico por país na América Latina, destacando os quatro principais em termos de faturamento: Brasil, México, Argentina e Colômbia.
Na Argentina, o mercado farmacêutico gerou US$ 6,3 bilhões (R$ 35 bilhões) em receitas, com produção de 753 milhões de unidades de medicamentos e exportações equivalentes a US$ 884 milhões (R$ 4,9 bilhões). O país abriga 354 indústrias farmacêuticas, das quais 229 possuem instalações de fabricação, empregando diretamente 43 mil pessoas e outros 120 mil de forma indireta.
No Brasil, o setor farmacêutico registrou um faturamento de US$ 40,5 bilhões (R$ 223 bilhões), com 5,7 bilhões de unidades vendidas, conforme dados da Anvisa. A indústria brasileira oferece uma gama de 4.748 produtos, distribuídos em 13.817 apresentações, com 2.001 ingredientes ativos e 505 classes terapêuticas.
No México, as indústrias farmacêuticas alcançaram uma receita de US$ 17,7 bilhões (R$ 97 bilhões) em 2023, representando um crescimento de 11% em relação ao ano anterior e uma média de crescimento de 12% desde 2020. Destaque-se o forte desempenho das exportações, que respondem por 63% do volume total da indústria química, superando segmentos como bebidas e tabaco.
A Colômbia movimentou US$ 6,8 bilhões (R$ 37,9 bilhões) em 2023, com 54% dos medicamentos sendo importados e 46% produzidos localmente, empregando mais de 49,8 mil pessoas.
O crescimento acelerado na região é impulsionado pelos medicamentos de especialidades, que têm maior valor agregado. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos na América Latina totalizaram US$ 1,1 bilhão (R$ 5,6 bilhões), com 32% desse montante direcionado ao Brasil. O envelhecimento populacional no país tem contribuído para o aumento dos gastos com medicamentos de alto custo, refletindo uma mudança demográfica significativa.
Dados do IBGE mostram que 32,9 milhões de brasileiros têm mais de 60 anos, superando o número de crianças com até nove anos. Essa faixa etária representa agora 14,7% da população, um aumento em relação aos 11,3% registrados há uma década.