De Zagottis, da RD: “A queda na margem era esperada. Não é que essa margem foi ruim, é que a de 2016 era impossível”
Pela primeira vez após trimestres consecutivos com diversos indicadores em alta, o grupo RD, formado pela união das redes Raia e Drogasil, acabou sentindo certa piora em alguns números – algo já esperado pelo mercado – com efeito sobre margens. Há uma expectativa de certo resquício desses efeitos no terceiro trimestre, daquilo que a empresa chamou de “crônica de uma morte anunciada”, em teleconferência na sexta-feira.
A varejista teve um menor ganho inflacionário de abril a junho, com reflexo sobre as margens bruta e de lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês). Historicamente, a RD compra um volume maior de mercadorias antes do reajuste dos medicamento, em abril, e passa a vender os produtos com a tabela nova, o que naturalmente “turbina” a rentabilidade.
Como houve um aumento médio nos preços de 3,1% neste ano (determinado pelo governo), bem abaixo dos 11,8% registrados no ano passado, o ganho foi menor em 2017. A ação da empresa abriu pregão da sexta-feira em queda e a desvalorização se manteve após a teleconferência ao mercado. O papel fechou com recuo de 1,58%, a R$ 68,20. Apesar de analistas já aguardarem alguns números mais fracos – para BB Investimentos e Brasil Plural ficaram dentro da expectativa
– o Credit Suisse, em relatório, passou a projetar um crescimento menor de receita para o grupo.
“A queda na margem foi normal e esperada [já havia sido mencionada pelo comando], não há nada de errado com ela. Não é que essa margem foi ruim, é que aquele índice de 2016 era impossível”, disse a analistas Eugênio De Zagottis, diretor de planejamento corporativo e de relações com investidores.
A margem bruta atingiu 29,4% no segundo trimestre, uma queda de 2,1 pontos percentuais em relação ao ano anterior. A margem Ebtida caiu de 10,4% para 8,9%.
O presidente do grupo RD, Marcilio Pousada, disse que a empresa deve sentir nova pressão em margem no terceiro trimestre, mas menor que a do segundo.
“Posso dizer que vamos tentar compensar esse menor ganho inflacionário com produtividade e diluição maior de despesas”, disse De Zagottis. Perguntado se a empresa estuda aumentar preços para elevar rentabilidade, o diretor descartou a hipótese. “Não há espaço no mercado para aumentos.”
O grupo ainda ressaltou que o alto número de feriados atrapalhou as vendas nos fins de semana de abril. Isso era previsto, mas ocorreu numa velocidade acima do estimado. Questionado se a companhia cogitou mudar a estratégia comercial após abril, para tentar recuperar vendas, Zagottis disse que essa questão não foi considerada.
“Mesmo sabendo desse efeito dos feriados, o reflexo veio maior do que prevíamos. Mas não mudamos nada na empresa. Não somos de ficar pensando no curto prazo, porque você faz algo para ganhar agora e perde lá na frente”, disse.
Ainda segundo o balanço, as vendas líquidas subiram 16,3%, para R$ 3,2 bilhões de abril a junho, e a receita de lojas com mais de um ano de operação cresceu 6,1% (a alta foi maior, de 14,5% no ano anterior, quando a venda de repelentes disparou no país).
Analistas do BTG Pactual, Brasil Plural e BB Investimentos ressaltaram a manutenção dos “bons fundamentos” da empresa e de números ainda acima da média do setor – no primeiro semestre, as vendas da companhia subiram 18,6%, ante média de 11,6% do mercado.
O Brasil Plural destacou o ajustes de despesas no trimestre, que compensou parcialmente, afirma o banco, o menor crescimento e a deterioração da margem bruta. O controle de despesas foi avaliado como “impressionante” devido ao rápido ritmo de abertura de lojas (estão previstas 200 inaugurações em 2017). As despesas operacionais aumentaram 12%, enquanto a receita líquida cresceu 16%.
O Credit Suisse afirmou em relatório que a tendência de alta nas vendas de lojas com mais de um ano deve ser menor, devido à redução da inflação.
Fonte: Valor
