Estudo da Allianz Trade revela que os medicamentos semaglutida e tirzepatida estão impulsionando o setor farmacêutico, superando os tradicionais tratamentos de oncologia e imunologia.
Segundo o relatório, as vendas dos medicamentos Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida) devem alcançar € 92 bilhões (R$ 572 bilhões) até 2030.
Em 2023, os medicamentos já apresentaram um salto nas vendas, passando de € 4,5 bilhões (R$ 28 bilhões) em 2021 para € 21,2 bilhões (R$ 132 bilhões). A previsão é que o Ozempic, indicado para diabetes tipo 2, seja o segundo medicamento mais vendido globalmente em 2024, com € 17 bilhões (R$ 105,6 bilhões) em receita, ficando atrás apenas do Keytruda, medicamento oncológico da MSD.
O crescimento do mercado de obesidade e diabetes reflete a popularização dos agonistas GLP-1, substâncias que têm demonstrado eficácia no controle do apetite e no controle da glicemia. Atualmente, esses medicamentos são as áreas de maior expansão na indústria farmacêutica, ultrapassando tratamentos de doenças como câncer e imunológicas, que historicamente foram os maiores geradores de receita para o setor.
Revolução dos medicamentos GLP-1
A semaglutida, o primeiro medicamento GLP-1 lançado pela Novo Nordisk, foi o pioneiro dessa revolução, inicialmente indicado para o tratamento do diabetes tipo 2. Após sua aprovação em 2017 e 2018, as vendas dispararam, e o Wegovy, versão indicada para a obesidade, foi aprovado nos EUA em 2021, seguido pela Europa em 2022. Em 2023, as vendas do Wegovy aumentaram 400%, e em 2024, a previsão é que o medicamento gere € 5,1 bilhões (R$ 31,7 bilhões) em faturamento.
A crescente demanda por esses tratamentos gerou escassez em alguns países, levando a Novo Nordisk a anunciar um investimento de € 10 bilhões (R$ 62,1 bilhões) para expandir sua capacidade de produção e pesquisa.
Além da Novo Nordisk, a Eli Lilly também entrou no mercado com a tirzepatida, que combina eficácia no controle de diabetes e obesidade. O Mounjaro (para diabetes) e o Zepbound (para obesidade) geraram US$ 11 bilhões (R$ 66,4 bilhões) em vendas nos primeiros nove meses de 2024, com um crescimento impressionante de 273%.
Desafios futuros e concorrência com genéricos
Embora o mercado esteja em ascensão, a concorrência crescente pode impactar as vendas das farmacêuticas líderes. Os genéricos do Ozempic, por exemplo, devem começar a ser comercializados em 2026 em mercados como Brasil e China, o que pode pressionar a Novo Nordisk e a Eli Lilly.
Por outro lado, a competição também deve incentivar novas inovações. A Novo Nordisk, por exemplo, está desenvolvendo o CagriSema, uma combinação de semaglutida e cagrilintida, que promete resultados ainda mais expressivos na perda de peso. O lançamento desse medicamento está previsto para 2026, junto com versões orais dos tratamentos GLP-1.