Com foco em prevenção e bem-estar, hábitos de autocuidado ganham protagonismo e movimentam US$ 7,5 bilhões no país
O fortalecimento da cultura do autocuidado tem impulsionado transformações relevantes na indústria da saúde e nutrição. Em um cenário marcado por rotinas intensas, estresse e aumento das doenças crônicas, cresce entre os brasileiros o interesse por hábitos e soluções que favoreçam a qualidade de vida e a prevenção de enfermidades. A tendência tem ampliado o protagonismo de categorias como vitaminas, suplementos e alimentos funcionais, cujo consumo movimentou US$ 7,5 bilhões no país em 2024, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD).
Os dados reforçam a relevância do tema, que tem inclusive um dia internacional dedicado à sua conscientização: o Dia Mundial do Autocuidado, celebrado em 24 de julho e instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A data ressalta a importância da autonomia individual no cuidado com a saúde física, mental e emocional.
Setor impulsionado por escolhas conscientes
O movimento crescente em direção ao autocuidado reflete uma mudança cultural e de comportamento. Para Cibele Zanotta, presidente executiva da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para o Autocuidado em Saúde (ACESSA), trata-se da consolidação de uma nova mentalidade. “O cuidado com a saúde se tornou uma prática contínua e preventiva, o que se reflete na busca crescente por produtos voltados a diferentes perfis, inclusive com restrições alimentares”, afirma.
Zanotta observa que esse processo tem estimulado a busca por informação e por soluções personalizadas em nutrição e suplementação. A maior expectativa de vida da população também impulsiona essa transformação. “Estamos vivendo uma mudança significativa na forma como as pessoas compreendem o cuidado com a própria saúde.”
Indústria cresce com a demanda por suplementos
A expansão da categoria de suplementos alimentares reflete a adesão da sociedade ao conceito de saúde preventiva. No primeiro trimestre de 2025, o setor de alimentos para fins especiais registrou um crescimento de 11,5% no consumo aparente, na comparação com o mesmo período do ano anterior. De acordo com a ABIAD, esse avanço foi impulsionado, sobretudo, pelo aumento na procura por vitaminas e concentrados de proteínas.
Gislene Cardozo, diretora-executiva da entidade, destaca que a segurança e a informação são essenciais para o bom uso desses produtos. “A chave para um consumo seguro está na orientação profissional e na verificação de registros junto à Anvisa. Produtos bem indicados, dentro de um contexto personalizado, otimizam os benefícios à saúde e reduzem os riscos”, avalia.
Profissionais têm papel central no uso racional
Especialistas também alertam para os riscos do uso indiscriminado de suplementos sem avaliação adequada. A farmacêutica Maria Aparecida Nicoletti, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, ressalta que a orientação técnica é fundamental. “A dispensação desses produtos exige acompanhamento profissional, especialmente por conta das possíveis interações com medicamentos em uso e efeitos adversos”, afirma.
Ela também reforça que o farmacêutico tem papel estratégico na cadeia do autocuidado, podendo orientar o consumidor quanto à eficácia, à segurança e à real necessidade da suplementação.
Princípios do autocuidado guiando a indústria
O conceito de autocuidado em saúde está ancorado em atitudes preventivas e sustentáveis, com foco na autonomia e na responsabilidade individual. A OMS organiza a prática em sete pilares fundamentais: uso racional de medicamentos isentos de prescrição (MIPs), acesso à informação de saúde, autoconhecimento, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, hábitos de higiene e prevenção de riscos à saúde.
A valorização dessas práticas tem mobilizado investimentos da indústria, associações e profissionais da saúde, consolidando o autocuidado como um eixo estratégico para o futuro da saúde pública e privada.