Farmacêutica inicia operação no mercado de análogos de GLP-1 com produção 100% nacional e prepara terreno para semaglutida em 2026
A EMS, maior laboratório farmacêutico de capital nacional, deu início à sua operação no competitivo mercado de análogos do GLP-1 — classe de medicamentos conhecida por seu uso no tratamento de obesidade e diabetes tipo 2, e popularmente chamada de “canetas emagrecedoras”. A entrada se dá com os lançamentos de Lirux, voltado ao controle glicêmico, e Olire, indicado para perda de peso.
Ambos os medicamentos têm como base a liraglutida, molécula consolidada e com patentes expiradas. A decisão de iniciar a jornada com essa substância estratégica, e não com a semaglutida (ainda patenteada pela Novo Nordisk), está no centro da abordagem incremental da EMS. “Começar com a liraglutida nos permite desenvolver capacidade fabril, tecnológica e comercial para disputar mercado com a semaglutida já em 2026”, afirma Marcus Sanchez, vice-presidente da companhia.
Primeiros análogos de GLP-1 produzidos integralmente no Brasil
Diferentemente de outros concorrentes que ainda dependem de etapas de importação, Lirux e Olire são os primeiros produtos dessa classe produzidos 100% em território nacional, com tecnologia de síntese química de peptídeos. Essa abordagem garante maior escala produtiva, pureza elevada, previsibilidade de fornecimento e, sobretudo, redução de custos — com preços até 20% inferiores em relação aos medicamentos de referência.
A farmacêutica também investiu R$ 1 bilhão na construção da nova planta de peptídeos em Hortolândia (SP), além de direcionar recursos significativos para centros internacionais de P&D, como Sérvia, Itália e EUA. A unidade RBBL Rio Biopharmaceuticals Brasil Ltda, recebeu R$ 100 milhões, sendo R$ 48 milhões via BNDES. No total, foram gerados cerca de 150 empregos diretos e mil indiretos.
A EMS projeta vender 150 mil canetas já na largada, com a meta de chegar a 250 mil unidades até o fim de 2025 e 500 mil até agosto de 2026. A expectativa é que a linha represente cerca de 25% do faturamento total da empresa nos primeiros dois anos. No horizonte de oito anos, a companhia estima um faturamento de US$ 4 bilhões com a categoria — metade no Brasil e metade em exportações.
Com a patente da semaglutida prevista para expirar em 2026, a EMS se prepara para uma nova fase de concorrência. “Já anunciamos o lançamento da nossa própria semaglutida para esse ano. Entraremos no mercado com a vantagem de uma estrutura robusta e consolidada, do P&D à distribuição”, diz Sanchez.
A estratégia de comunicação da farmacêutica neste segundo semestre de 2025 está voltada para a consolidação do posicionamento de Lirux e Olire como tratamentos inovadores, acessíveis e 100% nacionais. A campanha envolve presença em veículos especializados, congressos médicos e ações educativas para prescritores e pacientes. Está previsto um aumento gradual nos investimentos em mídia e presença digital, com foco em reforçar a liderança e pioneirismo da EMS no segmento.