Relatório do BTG Pactual aponta desempenho robusto do setor no segundo trimestre de 2025, com destaque para o avanço das vendas de medicamentos genéricos e isentos de prescrição.
O desempenho do varejo farmacêutico brasileiro manteve-se sólido no segundo trimestre de 2025, segundo análise do BTG Pactual assinada pelos analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Pedro Lima. O estudo, baseado em dados do Sindusfarma compilados pela IQVIA, indica que o crescimento do setor foi sustentado principalmente pela expansão das vendas de genéricos e medicamentos isentos de prescrição (OTC).
De acordo com o levantamento, o sell-out da indústria farmacêutica avançou 11,7% em julho na comparação anual, após altas de 10,3% no trimestre, 12,7% em junho e 14,3% em maio. O movimento confirma a sequência positiva do setor e reforça a contribuição dos genéricos, que registraram incremento de 14,7% em julho, após crescimentos de 12,9% em junho e 13,4% em maio.
Esse cenário refletiu-se nos balanços das principais redes do segmento. A RD Saúde (RaiaDrogasil), que havia apresentado resultados mais tímidos no início do ano, reportou receita líquida de R$ 11,6 bilhões (+12%), lucro líquido de R$ 400,9 milhões (+15%) e Ebitda de R$ 882 milhões (+7,3%) no segundo trimestre.
A Pague Menos também mostrou desempenho expressivo, com avanço de 18,1% nas vendas em mesmas lojas e lucro líquido ajustado de R$ 60,2 milhões (+36,2%). Já a Panvel obteve crescimento de 14,4% nas vendas em mesmas lojas e lucro líquido ajustado de R$ 28 milhões, representando expansão de 39,5% em relação ao mesmo período de 2024.
Apesar do ambiente favorável, o BTG Pactual ressalta que o setor permanece sensível às variáveis macroeconômicas. Entre os riscos apontados estão o impacto das restrições de crédito sobre o consumo e o efeito dos juros elevados no processo de desalavancagem financeira das companhias. O banco também observa que, após a valorização das ações entre abril e junho, houve redução na exposição dos investidores ao setor.
Para a continuidade da valorização, o relatório indica dois fatores determinantes: a trajetória de queda dos juros reais de longo prazo e a revisão positiva das projeções de lucro. No cenário atual, o BTG mantém recomendação de compra para as ações de RD Saúde, Pague Menos e Panvel.