Crescimento de 16% na demanda por tratamentos internacionais impulsiona debate sobre produção nacional e ampliação de vias de administração
O mercado brasileiro de cannabis medicinal atingiu um novo patamar em 2025, registrando o recorde histórico de 194,7 mil autorizações para importação. O volume representa uma média de 533 pedidos aprovados por dia, consolidando uma alta de 16% em comparação ao ano anterior. O avanço reflete a busca crescente de pacientes por terapias para condições como epilepsia e esquizofrenia, diante de um mercado interno ainda marcado por custos elevados e oferta restrita.
Desde 2015, quando a importação foi liberada, o setor passou de apenas duas autorizações diárias para centenas, evidenciando o amadurecimento do mercado e a maior aceitação médica de compostos como o canabidiol (CBD). A preferência pela importação permanece como a principal via de acesso devido à limitada produção nacional, concentrada em poucos laboratórios.
Novas fronteiras regulatórias e terapêuticas
O cenário para 2026 prevê mudanças estratégicas nas normas de produtos à base de cannabis. Estão em pauta a liberação de novas formas de administração, como o uso dermatológico, bucal e sublingual — ampliando as opções para além das vias oral e inalatória já permitidas. Essas atualizações são fundamentais para personalizar o tratamento de acordo com a necessidade clínica de cada paciente.
Outro ponto determinante para o setor é a definição sobre o cultivo para fins medicinais em solo brasileiro. O governo federal possui prazo até março para apresentar as diretrizes ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). A regulamentação do plantio é vista como um passo essencial para reduzir a dependência de produtos estrangeiros, diminuir o preço final ao consumidor e estimular o desenvolvimento de uma cadeia produtiva nacional de alta tecnologia no segmento farmacêutico.