Junho marca o mês de conscientização sobre o lipedema, uma doença crônica ainda subdiagnosticada, caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente em pernas, quadris e, em alguns casos, braços.
Diferentemente da obesidade, a condição não responde adequadamente a dieta e exercício, apresentando padrão simétrico, preservação de pés e mãos e sintomas como dor e sensibilidade.
Segundo o cirurgião plástico Rafael Erthal, fundador da clínica Blue e especialista no tema, o lipedema possui diferentes tipos e estágios, o que torna o diagnóstico mais complexo e frequentemente tardio. A doença afeta majoritariamente mulheres e está associada a fatores hormonais e genéticos, com surgimento ou agravamento em fases como puberdade, gestação e menopausa.
A classificação inclui cinco tipos — variando conforme as regiões afetadas — e quatro estágios evolutivos, que vão desde alterações subclínicas até quadros avançados com deformidades e associação com linfedema. A falta de conhecimento sobre a doença ainda é apontada como um dos principais entraves, levando muitas pacientes a passarem anos sem diagnóstico adequado.
O tratamento envolve abordagem multidisciplinar, incluindo dieta anti-inflamatória, atividade física, terapias compressivas e drenagem linfática. Em casos selecionados, procedimentos cirúrgicos especializados vêm ganhando espaço, com técnicas voltadas não apenas à redução de volume, mas também à melhora funcional e da dor.
O aumento da conscientização sobre o lipedema abre espaço para expansão de serviços especializados, terapias de suporte e soluções médicas voltadas à doença. O cenário também aponta oportunidades para a indústria farmacêutica e de dispositivos médicos, especialmente em áreas como manejo da dor, terapias complementares e tecnologias associadas ao tratamento crônico.