Pesquisa revela que saúde mental e doenças neurológicas estão entre as principais razões para o tratamento, enquanto desafios como custos e regulamentação ainda persistem
Entre os usuários de cannabis medicinal no Brasil, 35,5% utilizam produtos derivados da planta para o tratamento de dor crônica. Essa condição pode ser resultado de doenças como fibromialgia, lombalgia, enxaqueca, artrite, artrose e dor oncológica, sendo a dor crônica a principal razão para o uso medicinal de cannabis no país.
A saúde mental, que abrange condições como ansiedade, insônia, estresse, depressão, transtorno pós-traumático e burnout, aparece como o segundo motivo mais comum para o uso de cannabis. Doenças neurológicas, transtornos de neurodesenvolvimento e distúrbios convulsivos completam os cinco principais usos da planta.
Além das condições tratadas, uma pesquisa online realizada pelo Portal Cannabis & Saúde também examinou a satisfação dos 1.016 entrevistados com o tratamento, a faixa etária dos pacientes, as formas de acesso aos produtos e outras informações relevantes.
Tratamento com cannabis
Entre os participantes da pesquisa, 65,6% obtêm seus medicamentos por meio de importação, de acordo com as diretrizes da RDC 660 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Cerca de 23% acessam os produtos através de associações, 5,5% compram em farmácias, e 4,9% optam pelo autocultivo.
No que diz respeito ao investimento, a pesquisa revelou que 26% dos pacientes gastam entre R$ 300 e R$ 500 mensalmente em produtos à base de cannabis, enquanto 23% investem entre R$ 200 e R$ 300, e 19% até R$ 200.
Quanto à satisfação com o tratamento, 42,8% dos pacientes afirmaram estar extremamente satisfeitos, 42,6% satisfeitos, 9,7% neutros, 3,3% insatisfeitos e 1,5% extremamente insatisfeitos.
Perfil do paciente
Conforme a pesquisa, as mulheres representam 62,3% dos pacientes que utilizam cannabis medicinal no Brasil. A faixa etária mais comum entre os usuários é de 55 a 64 anos (23,5%), seguida por 45 a 54 anos (15,8%), 35 a 44 anos (15,5%) e 65 a 70 anos (13,3%).
São Paulo lidera o número de pacientes, com quase 40%, seguido pelo Rio de Janeiro (14,4%), Minas Gerais e o Distrito Federal, ambos com cerca de 10%.
Dentre os pacientes que utilizam medicamentos à base de cannabis, 31% estão em seu primeiro ou segundo ano de tratamento. Mais de 25% estão em uso há menos de seis meses, enquanto aproximadamente 5% utilizam a cannabis medicinal há mais de cinco anos. A telemedicina (54,3%) é a modalidade preferida para consultas, superando as consultas presenciais (45,7%).
Considerações Finais
Ao serem questionados sobre o “maior desafio da cannabis medicinal no Brasil”, 53,1% mencionaram o custo dos produtos. A regulamentação e leis não finalizadas foram citadas por 31,6% dos entrevistados, enquanto 8,9% levantaram preocupações sobre a segurança e a qualidade dos produtos.
Segundo os pesquisadores, estudos desse tipo podem ajudar tanto pacientes quanto profissionais de saúde, como médicos e dentistas, que estão habilitados a prescrever cannabis medicinal. Além disso, essa pesquisa contribui para aumentar a disponibilidade de informações sobre o tema.