Inspirada pelo sucesso do medicamento Ozempic, da Novo Nordisk, a empresa brasileira Prati-Donaduzzi decidiu entrar na disputa pelo mercado de genéricos
Com o término da patente do medicamento previsto para 2026, a Prati-Donaduzzi está empenhada em estudar a fabricação de sua versão genérica. Segundo o CEO da indústria, Eder Maffissoni, a empresa busca consolidar sua presença no mercado farmacêutico oferecendo mais opções aos consumidores. “As farmácias geralmente buscam ter entre duas e três alternativas na prateleira. E queremos marcar presença neste espaço”, afirma.
O desenvolvimento do genérico do Ozempic teve início há seis meses, quando a Prati-Donaduzzi decidiu ingressar no mercado de medicamentos para emagrecimento. O laboratório buscou fornecedores na Ásia e na Europa para viabilizar o projeto, cujo investimento não foi revelado, mas que o CEO afirma não ser barato. “Para se ter uma ideia, o grama da matéria-prima custa em torno de US$ 1.100”, destaca Maffissoni.
O mercado de medicamentos à base de semaglutida no Brasil já movimenta R$ 3 bilhões em vendas anuais, de acordo com dados da IQVIA. Esses medicamentos se tornaram os de maior faturamento no mercado nacional, mesmo sendo relativamente recentes. Maffissoni acredita que a concorrência no setor irá impulsionar ainda mais o mercado, comparando o potencial impacto ao que aconteceu com a queda da patente do Viagra. “Com a queda do preço, o consumo explodiu e trouxe acesso a quem precisava”, analisa o CEO.
A movimentação da Prati-Donaduzzi não foi a única no setor, visto que outras empresas, como a Biomm, também estão se preparando para entrar na concorrência. O laboratório fechou um acordo com a farmacêutica indiana Biocon para distribuir um remédio à base de semaglutida, mostrando que o mercado farmacêutico brasileiro está se preparando para uma competição acirrada nos próximos anos.