Num cenário econômico desafiador, 95% das principais empresas do setor registraram crescimento no último trimestre de 2024, com destaque para Eli Lilly e Novo Nordisk.
De acordo com levantamento da Fierce Pharma, 21 das 22 farmacêuticas com faturamento superior a US$ 2 bilhões (R$ 11,65 bilhões) no quarto trimestre registraram aumento de receita em relação ao mesmo período de 2023. A única exceção foi a Teva, impactada por um pagamento adiantado de US$ 500 milhões (R$ 2,9 bilhões) da Sanofi no ano anterior, o que distorceu sua base de comparação. Sem essa atipicidade, a companhia teria crescido 5% no período.
Eli Lilly e Novo Nordisk foram os destaques, com crescimentos de 45% e 30%, respectivamente. Ambas mantiveram um desempenho acima de 20% em vários trimestres consecutivos, impulsionadas pela demanda por medicamentos para emagrecimento e tratamento do diabetes.
Impacto no mercado e liderança consolidada
No acumulado de 2024, a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, teve alta de 26%, enquanto a Eli Lilly avançou 32%, elevando seu valor de mercado de US$ 745 bilhões (R$ 4,3 trilhões) para US$ 844 bilhões (R$ 4,9 trilhões). Esse montante é o dobro do registrado por qualquer outra farmacêutica.
O desempenho da Lilly também foi impulsionado por medicamentos como Verzenio, para câncer de mama, e Jardiance, voltado para doenças cardíacas. Para Sandro Angélico, CEO da Farmácia Digital Qualidoc, os números evidenciam a importância de terapias inovadoras para doenças em ascensão, como o diabetes. “Após o vencimento das patentes, cabe aos genéricos ampliar o acesso a esses tratamentos”, destaca.
Tendência incomum no último trimestre
O crescimento do setor no quarto trimestre surpreende, já que historicamente o período não costuma apresentar forte alta. “Não sei quanto esse resultado é uma antecipação a possíveis mudanças regulatórias em 2025 com a nova administração Trump”, analisa Pankit Bhalodia, gerente executivo de consultoria West Monroe.