CEO da companhia aponta que produção complexa e escassez de canetas devem frear queda de preços, mantendo alta rentabilidade para o setor
A Hypera Pharma oficializou sua intenção de disputar o bilionário mercado da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, com o lançamento de um genérico previsto para 2026. O anúncio foi feito por Breno Oliveira, CEO da companhia, durante entrevista à Reuters, reforçando o movimento de expansão da indústria farmacêutica nacional em direção a esse segmento.
A declaração ocorre em um momento estratégico, com a expiração da patente do Ozempic, da dinamarquesa Novo Nordisk, prevista para março de 2026. Embora a concorrência pela versão genérica do medicamento esteja se intensificando, Oliveira sinalizou que a redução de preços, esperada por analistas e consumidores, pode não ser tão expressiva. “Não esperamos uma degradação tão grande nessa categoria no curto prazo”, afirmou o executivo, citando os altos custos de produção e a limitada disponibilidade de canetas injetoras como barreiras para uma queda acentuada nos valores.
O impacto do anúncio foi imediato: as ações da Hypera subiram 7% no mesmo dia, liderando os ganhos no Ibovespa em uma sessão de baixo movimento.
Corrida por um mercado de R$ 3 bilhões
Além da Hypera, outros grandes nomes da indústria brasileira já declararam interesse em participar do mercado de genéricos da semaglutida. O segmento, que também abrange fármacos como liraglutida, tirzepatida e dulaglutida, movimenta aproximadamente R$ 3 bilhões anuais no Brasil.
A Biomm, por exemplo, firmou um acordo com a indiana Biocon para licenciar e distribuir o medicamento no país. A Cimed já batizou seu futuro produto de “canetinha amarela”, demonstrando entusiasmo com o potencial da molécula. A EMS, por sua vez, investiu mais de R$ 1 bilhão na produção nacional da liraglutida e busca aprovação da FDA para comercializar a semaglutida nos EUA. Já a Eurofarma, com presença consolidada no tratamento do diabetes, aguarda a liberação da patente para expandir sua atuação na categoria. A Prati-Donaduzzi, por fim, iniciou ainda em 2023 um processo de aproximação com fornecedores internacionais para garantir competitividade na produção.
Com o prazo de proteção do Ozempic se encerrando, a expectativa é de que o mercado brasileiro testemunhe uma nova fase de competição intensa, impulsionada por fabricantes locais que veem na semaglutida uma oportunidade estratégica de crescimento. Ainda assim, como indica a Hypera, a rentabilidade pode seguir elevada, ao menos nos primeiros anos da nova fase.