O fornecimento do tofacitinibe 5mg ao Sistema Único de Saúde (SUS) marca um novo capítulo na cooperação entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica Pfizer. Fruto de um acordo de transferência tecnológica firmado no fim de 2023, o medicamento genérico equivalente ao Xeljanz — referência internacional no tratamento da artrite reumatoide (AR) — começou a ser distribuído em larga escala pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos.
No curto prazo, o medicamento ainda é fabricado na Alemanha, mas sua nacionalização está em curso. Em fevereiro de 2024, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu o registro ao clone genérico, viabilizando sua futura produção integral no Brasil. A próxima remessa, prevista para maio de 2025, contará com aproximadamente quatro milhões de comprimidos.
Mario Moreira, presidente da Fiocruz, ressalta que a parceria com a Pfizer reforça a missão institucional de ampliar o acesso da população a medicamentos estratégicos, articulando ciência, tecnologia e desenvolvimento industrial. “Esse é um exemplo concreto de como alianças público-privadas podem induzir inovação e reduzir desigualdades no sistema de saúde”, afirmou.
O tofacitinibe é um inibidor da proteína janus quinase (JAK), atuando diretamente nos mecanismos inflamatórios associados a doenças autoimunes, como a artrite reumatoide. Ao ser incorporado ao SUS, tornou-se o primeiro tratamento oral, alvo-específico e não biológico para pacientes com AR moderada a grave. Além da eficácia, a formulação em comprimidos favorece a adesão terapêutica e simplifica a logística de distribuição, por dispensar refrigeração.
“O registro do medicamento nacional representa uma etapa essencial na trajetória de internalização da tecnologia. A produção local tende a reduzir custos e a acelerar a entrega ao paciente, gerando ganhos clínicos e econômicos para o SUS”, destaca Jorge Mendonça, diretor de Fiocruz. Ele também ressalta que esse processo fortalece o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), uma diretriz estratégica do Estado brasileiro.
A Pfizer, que desenvolveu o medicamento original e mantém seu fornecimento ao SUS desde 2017, celebra a ampliação do acesso por meio da parceria com a Fiocruz. “Milhares de brasileiros já se beneficiam do Xeljanz na rede pública. Com essa colaboração, ampliamos ainda mais o alcance da nossa inovação e reafirmamos nosso compromisso com a saúde pública e o desenvolvimento local”, afirma Alexandre Gibim, presidente da Pfizer Brasil.
A artrite reumatoide é uma doença autoimune, crônica e progressiva, que afeta predominantemente mulheres entre 30 e 50 anos, com maior incidência por volta da quinta década de vida. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) atualizado em 2021, a ausência de tratamento adequado pode levar a danos irreversíveis nas articulações. O histórico familiar eleva o risco de desenvolvimento da doença em até cinco vezes.
Com a nacionalização do tofacitinibe, o Brasil avança no enfrentamento da doença, enquanto consolida sua capacidade de inovação e autonomia produtiva no campo da saúde.