Estudo da Bain & Company revela que busca por perda de peso lidera prioridades de saúde e impulsiona mercado de análogos de GLP-1
O uso de medicamentos análogos de GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, registrou um crescimento expressivo no Brasil, passando de 3% em janeiro de 2025 para 11% em fevereiro de 2026. Os dados integram a pesquisa Consumer Pulse 2026, da consultoria Bain & Company, que aponta o peso corporal e a longevidade como as principais preocupações de saúde para 37% dos brasileiros. O país apresenta índices de valorização de hábitos saudáveis (46%) superiores aos observados nos Estados Unidos e na Europa.
A democratização do acesso a esses tratamentos é impulsionada pela expiração da patente da semaglutida em março de 2026, abrindo caminho para versões mais acessíveis. O levantamento destaca, no entanto, disparidades no acompanhamento médico: enquanto 85% dos usuários de alta renda utilizam os fármacos sob supervisão, um terço dos pacientes de baixa renda admite fazer uso sem orientação profissional, elevando riscos de saúde e de exposição a produtos falsificados.
Perspectivas e evolução tecnológica
O mercado farmacêutico projeta uma nova fase de expansão com a chegada de medicamentos de próxima geração. Segundo a Bain & Company, as tecnologias em desenvolvimento prometem perdas de peso de até 25%, com a transição do formato injetável para comprimidos, além da redução de efeitos colaterais como enjoo e perda de massa magra. Atualmente, a demanda reprimida é alta, com 17% dos não usuários manifestando interesse em iniciar o tratamento no futuro.
Além da intervenção medicamentosa, o estudo revela mudanças estruturais na alimentação: 71% dos brasileiros pretendem reduzir ultraprocessados e 63% buscam aumentar o consumo de alimentos frescos. A busca por estética também aparece como pilar central, citada por um terço dos entrevistados, consolidando o Brasil como um dos mercados mais preocupados com a intersecção entre saúde e beleza em nível global.