Setor movimentou R$ 222,8 bilhões no país em 2024, impulsionado por fatores demográficos, SUS e foco em medicamentos inovadores
O Brasil reafirmou sua liderança no mercado farmacêutico da América Latina em 2024, sendo responsável por 42% do faturamento total do setor na região. Com base em levantamento da IQVIA, a indústria farmacêutica latino-americana movimentou US$ 93,1 bilhões (cerca de R$ 526,6 bilhões) no ano passado, dos quais US$ 39,4 bilhões (R$ 222,8 bilhões) vieram exclusivamente do mercado brasileiro.
A performance nacional ultrapassa com folga a do México e da Argentina — segundo e terceiro colocados no ranking, respectivamente — com mais de US$ 20 bilhões (R$ 113,1 bilhões) de diferença em relação a cada um. Juntos, os três países concentram 74% de todo o volume de negócios do setor na região.
Segundo especialistas, essa supremacia brasileira decorre de uma conjunção de fatores. Um deles é o fator demográfico: com a maior população absoluta e um número crescente de idosos, o Brasil concentra uma base consumidora mais ampla, especialmente beneficiada pelo acesso proporcionado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “O SUS é uma alavanca para o consumo de medicamentos”, afirma Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindusfarma.
Além disso, há um movimento crescente da indústria em direção à inovação, com maior atenção ao desenvolvimento e à distribuição de medicamentos inovadores. “Essa categoria ganhou prioridade na agenda estratégica das farmacêuticas, que por sua vez reforçam as parcerias com as distribuidoras para viabilizar a capilaridade no acesso”, destaca Paulo Maia, presidente executivo da ABRADIMEX.
Crescimento acelerado no mercado regional
O mercado farmacêutico latino-americano tem mantido um ritmo expressivo de expansão, com crescimentos anuais de dois dígitos nos últimos anos. Em 2021, o faturamento era de US$ 67,2 bilhões (R$ 380,1 bilhões). Em 2023, houve avanço de 11,1%, alcançando US$ 75,6 bilhões (R$ 427,6 bilhões). Já em 2024, o crescimento foi ainda mais robusto: 18,8%.
Apesar de liderar em volume, o Brasil não foi o país com maior crescimento percentual no último ano. Argentina e Venezuela despontaram com taxas entre 20% e 25%, enquanto Chile e Colômbia completam o top 5, com avanço de 10% a 15%. O Brasil aparece logo atrás, mantendo um ritmo consistente de expansão.
Inteligência de mercado em alta
Com o aumento da complexidade e da competitividade no setor, cresce também a demanda por dados estratégicos. Desde janeiro, o portal Panorama Farmacêutico disponibiliza uma seção exclusiva com indicadores do mercado, reunindo análises e métricas que impactam diretamente a indústria, o varejo e a distribuição de medicamentos.
O cenário reafirma a relevância do Brasil como potência farmacêutica regional, ao mesmo tempo em que destaca o dinamismo e a crescente sofisticação da cadeia produtiva e distributiva em toda a América Latina.
Fonte: Panorama Farmacêutico 24.05.2025
