Medicamentos para emagrecimento, novas formulações e quebra de patentes impulsionam crescimento do setor até 2027.
A presidente do Conselho Regional de Farmácia de Goiás (CRF-GO), Luciana Calil, projeta um período de forte expansão para a indústria farmacêutica nacional nos próximos anos, impulsionado por medicamentos para emagrecimento, lançamento de novas formulações e abertura de mercado decorrente da quebra de patentes.
Segundo dados da Associação Médica Brasileira, o setor pode registrar crescimento de até 30% até 2027, cenário que traz oportunidades estratégicas para fabricantes, distribuidores e varejistas, assim como para profissionais farmacêuticos que ampliam suas áreas de atuação.
Calil ressalta que, embora aproximadamente 80% dos farmacêuticos ainda atuem em farmácias e drogarias, a profissão se expande para segmentos como estética, oncologia, consultórios próprios, indústria farmacêutica e hospitalar. “Hoje posso ter um consultório farmacêutico com serviços de acupuntura, homeopatia, ozonioterapia e estética. Há poucos anos, isso seria impensável”, afirmou.
Entre as áreas em destaque, a presidente cita ozonioterapia, radiofarmácia, oncologia e desenvolvimento de cosméticos e fórmulas farmacêuticas. Além disso, os medicamentos análogos do GLP-1 já movimentam bilhões no mercado global e começam a ter produção nacional, com laboratórios brasileiros como a EMS iniciando fabricação local, enquanto multinacionais desenvolvem novas formulações mais eficazes e seguras. A quebra de patentes também contribui para ampliar a concorrência no setor, permitindo a entrada de genéricos, similares e bioequivalentes. Exemplos recentes incluem a linha de medicamentos Ozempic, que já enfrenta concorrência de novos produtos e versões equivalentes. Calil alerta, contudo, para a necessidade de uso responsável, ressaltando efeitos adversos potenciais e a importância do acompanhamento médico.
Outro vetor de expansão é o crescimento das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), que hoje representam um mercado crescente dentro das farmácias, oferecendo suporte a pacientes com dores crônicas, ansiedade, insônia e necessidades estéticas. A recente regulamentação federal da acupuntura reforça a participação do farmacêutico nesse segmento, inclusive na prescrição de medicamentos fitoterápicos e isentos de prescrição.
Goiás destaca-se como polo estratégico da indústria farmacêutica, com 14.360 profissionais ativos, 4.409 farmácias e drogarias, 2.012 farmácias de manipulação, 36 indústrias de medicamentos e 42 indústrias de cosméticos, além de centros especializados em bioequivalência e biodisponibilidade. Essa infraestrutura atrai empresas de outros estados, consolidando o papel do farmacêutico como elo central na assistência ao paciente, indústria e fiscalização sanitária. Calil conclui que o crescimento do setor é inevitável e positivo, desde que acompanhado por responsabilidade, fiscalização rigorosa e uso racional de medicamentos, reforçando a importância estratégica do profissional farmacêutico na saúde, na indústria e no mercado de cosméticos e produtos de beleza.