Estudo do data8 revela que o público acima de 50 anos consome 75% a mais em medicamentos, suplementos e planos do que os jovens, projetando metade do faturamento do setor até 2044
O envelhecimento populacional consolidou-se como o principal motor econômico do mercado de saúde suplementar e farmacêutico no Brasil. De acordo com a pesquisa inédita “Mercado Prateado: consumo dos brasileiros 50+ e projeções”, conduzida pelo hub de inteligência data8, os consumidores com mais de 50 anos foram responsáveis por movimentar R$ 247 bilhões em apenas um ano, o que equivale a 35% dos R$ 700 bilhões faturados pelo setor no país. O levantamento evidencia o peso da chamada economia prateada, revelando que os gastos per capita mensais desse público com bem-estar e terapias chegam a R$ 233,00, valor 75% superior à média de R$ 96,00 despendida pelas gerações mais jovens.
As análises de comportamento indicam que os medicamentos, suplementos alimentares e planos de assistência médica lideram as prioridades financeiras da população madura, representando 79% de sua cesta mensal de cuidados. Essa transição de consumo é impulsionada por uma forte guinada em direção à medicina preventiva e ao autocuidado após o período pandêmico: cerca de 63% dos entrevistados realizam check-ups anuais regularmente, 46% mantêm dietas balanceadas e 43% monitoram o peso corporal. Conforme a idade avança, a saúde reconfigura o orçamento familiar de forma drástica, saltando de 11% das despesas totais na faixa dos 50 anos para 21% entre os idosos acima de 80 anos.
Contrastes demográficos, regionais e recortes por classe social
Apesar da centralidade do segmento em todas as faixas de renda, o estudo do data8 expõe assimetrias socioeconômicas e regionais profundas na jornada de compra do consumidor sênior:
Poder de Compra e Perfil: Na Classe A, as despesas com saúde ocupam 16% do orçamento, permitindo a diversificação com tratamentos eletivos privados e produtos de bem-estar. Nas Classes B e C, os índices fixam-se em 14% e 15%, respectivamente. Já na Classe D, a saúde consome 12% dos recursos, exercendo forte pressão financeira sobre as famílias vulneráveis que enfrentam o “custo da longevidade” focado na subsistência.
Geografia do Consumo: A região Sudeste desponta como o principal polo comercial do setor, registrando o maior gasto médio per capita do país, com R$ 293,00 mensais. Em contrapartida, as regiões Norte e Nordeste registram os menores índices de desembolso na categoria, com orçamentos familiares estrangulados e predominantemente restritos a gastos básicos com habitação e alimentação.
Projeções de mercado e sustentabilidade do varejo até 2044
As projeções de longo prazo sinalizam um cenário de expansão geométrica para a indústria e o varejo farmacêutico, apontando a saúde como o setor de maior aceleração na cesta de consumo nacional nos próximos dez anos, com um ganho de 4,81 pontos percentuais de participação. Para 2034, estima-se que o mercado global de saúde brasileiro atinja R$ 915 bilhões, momento em que a fatia gerada pelo público prateado saltará para 43%. Nesse intervalo, a demanda sênior por medicamentos específicos deve avançar de 35% para 41%, enquanto a busca por exames diagnósticos crescerá de 34% para 41%.
O ápice dessa transformação demográfica está projetado para 2044, quando o faturamento total do setor de saúde deve alcançar R$ 1,3 trilhão. Nessa janela de duas décadas, os brasileiros 50+ passarão a responder por exatos 50% de todo o consumo médico-farmacêutico do país, gerando um volume líquido de R$ 559 bilhões em produtos e serviços. De acordo com os coordenadores da pesquisa, esse remanejamento estrutural de recursos — que drena faturamento de mercados tradicionais como vestuário, lazer e transporte — posiciona a longevidade como o eixo de sustentabilidade e inovação mais valioso para as redes de drogarias e laboratórios nas próximas décadas.