Categoria registra crescimento de 17,6% em 12 meses impulsionada por canais digitais, tratamento de doenças crônicas e forte investimento industrial em P&D
O mercado brasileiro de medicamentos genéricos registrou um faturamento de R$ 5,57 bilhões no acumulado de 12 meses, compreendido entre março de 2025 e março de 2026. O resultado aponta para uma expansão de 17,6% em comparação com o ciclo anterior, conforme dados consolidados pela Impulso, divisão de mídia e inteligência de mercado da RD Saúde. Presente no país há 27 anos, o segmento atingiu a marca histórica de 40% de participação de mercado (market share), cobrindo opções terapêuticas para cerca de 90% das patologias conhecidas e sustentando o posicionamento do Brasil como a sétima maior potência farmacêutica global.
De acordo com a PróGenéricos, com base em relatórios gerenciais da IQVIA, o volume comercializado superou 2,36 bilhões de unidades anuais, traduzindo-se em uma taxa de crescimento em volume de 8,33%. O avanço dos genéricos reflete uma transformação no perfil de consumo: os produtos deixaram de ser associados exclusivamente ao fator preço baixo para se consolidarem como ativos de alta escala, recorrência e forte valor agregado na assistência à saúde. Apenas no primeiro trimestre de 2026, a economia gerada aos bolsos dos consumidores foi estimada em R$ 14,6 bilhões, com projeções da entidade apontando que a categoria deve alcançar 45,12% de participação de mercado até 2030, acumulando uma economia poupada de R$ 630 bilhões.
Canais digitais capturam público jovem e impulsionam tíquete médio
A dinâmica de distribuição e a jornada de compra passaram por adaptações estruturais importantes no período avaliado:
• Aceleração Digital: O canal de e-commerce registrou um salto de 41,5% nas vendas da categoria. Esse movimento é diretamente atribuído à entrada de consumidores na faixa etária entre 18 e 35 anos, que priorizam a conveniência, velocidade e a relação custo-benefício em plataformas móveis.
• Captação de Pacientes: A atração de novos usuários registrou incremento de 7,4%, adicionando 32 milhões de unidades ao volume geral de dispensação e elevando de forma consistente o valor médio gasto por transação (tíquete médio).
• Ponto de Venda Físico: As farmácias de tijolo mantêm papel central e estratégico no ecossistema, funcionando como um porto de confiança regulatória para o público sênior, além de absorver de forma ágil tratamentos contínuos e demandas de urgência.
Liderança em doenças crônicas e robustez do complexo industrial
Os medicamentos direcionados ao tratamento de condições crônicas, como hipertensão, diabetes e dislipidemias, continuam sendo as principais alavancas de volume e faturamento do varejo. Entre os princípios ativos mais comercializados no país destacam-se a losartana potássica com 49,7 milhões de unidades, seguida pela dipirona sódica com 32,4 milhões e pela hidroclorotiazida com 20 milhões de embalagens distribuídas. Moléculas como sinvastatina, rosuvastatina, enalapril, anlodipino e metformina também figuram na liderança das carteiras de vendas das farmácias.
A sustentação dessa demanda é amparada por uma infraestrutura fabril altamente robusta. A associação setorial reúne nove dos 20 maiores laboratórios farmacêuticos em operação no Brasil, somando mais de 30 plantas industriais nativas e gerando 50 mil empregos diretos. Para manter os padrões de bioequivalência e competitividade, o setor aporta anualmente mais de R$ 2,26 bilhões em pesquisa, desenvolvimento (P&D) e inovação tecnológica, além de destinar mais de 393 mil horas em qualificação técnica profissional. Esse ecossistema garante que os genéricos funcionem não apenas como um componente de equilíbrio de custos privados, mas como a principal plataforma de democratização e manutenção do cuidado contínuo com a saúde no território nacional.