Validação científica, avanços regulatórios e busca por alternativas terapêuticas impulsionam expansão global, com reflexos diretos no Brasil.
O setor de farmacêuticos derivados da cannabis está consolidando sua posição como um dos mais dinâmicos da indústria da saúde. Avaliado em US$ 5,2 bilhões em 2024, o mercado global deve alcançar US$ 72,7 bilhões até 2030, com crescimento anual composto (CAGR) de 55,1%, segundo o relatório Cannabis Pharmaceuticals – Global Strategic Business Report.
Um segmento em transformação
A crescente validação científica sobre os benefícios terapêuticos dos canabinoides e o avanço das legislações em diferentes países têm acelerado investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Essa combinação resultou em novas aprovações de medicamentos voltados ao tratamento de epilepsia, esclerose múltipla e dor crônica, consolidando a cannabis medicinal como alternativa terapêutica.
Outro fator decisivo é a crise global dos opioides, que aumentou a demanda por soluções não viciantes no manejo da dor. A cannabis medicinal surge, nesse contexto, como alternativa eficaz, apoiada por tecnologias que aprimoram a administração e a precisão das dosagens.
Perspectivas para o Brasil
O mercado brasileiro acompanha essa tendência de expansão. Segundo a consultoria Close-Up, produtos à base de cannabis movimentaram R$ 393 milhões até março de 2025, alta de 43% frente ao período anterior. O volume comercializado também cresceu: foram 787 mil unidades vendidas, avanço de 53%.
Os medicamentos isolados lideram as vendas em farmácias, com 63,7% de participação, mas os extratos já representam 36,3% do mercado, sinalizando potencial de diversificação. A taxa de crescimento anual composta no Brasil chegou a 77,8%, acima da média global, evidenciando o dinamismo local.
Impulsionadores do setor
Além da expansão regulatória e da legitimação científica, a evolução tecnológica tem sido determinante. Pesquisas clínicas ampliam o uso terapêutico de compostos como CBD e THC, enquanto novos canabinoides, como CBG e CBN, despontam em estudos voltados a doenças neurodegenerativas e condições autoimunes.
Avanços em nanotecnologia e encapsulamento já melhoram a biodisponibilidade e a estabilidade de formulações orais, transdérmicas e inaláveis, abrindo caminho para maior eficácia clínica.
Áreas terapêuticas em destaque
A demanda é impulsionada principalmente por pacientes com dor crônica, distúrbios neurológicos e transtornos de saúde mental. Medicamentos como Epidiolex (CBD), indicado para epilepsias raras, e Sativex (THC + CBD), aprovado para esclerose múltipla, são referências que comprovam a consolidação do segmento.
Com aplicações crescentes em ansiedade, Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e distúrbios do sono, a cannabis medicinal amplia seu alcance, ao mesmo tempo em que reforça o papel estratégico do setor farmacêutico em investir em novas soluções terapêuticas e modelos de negócios inovadores.