A busca por maior eficiência e competitividade tem levado a indústria farmacêutica a procurar cada vez mais a automação dos processos, uma tendência presente em outros setores que também identificaram a necessidade de otimizar a produção.
A robotização garante maior agilidade e eficiência, diminuição de erros e de perdas de materiais por desperdícios ou trocas de embalagens.
Durante a pandemia, a exigência ininterrupta por insumos aumentou o investimento em automação. Este segmento deve continuar aquecido pós-pandemia se comparado aos momentos anteriores. Um levantamento da Research & Markets aponta que o mercado global de manufatura inteligente valerá US$ 220 bilhões até 2025.
Uma pesquisa da Ernst & Young revelou que 36% das empresas globais aceleraram os planos de automação por conta da pandemia. Mais de 50% dos empresários de 45 países, ouvidos pela EY para o relatório Global Capital Confidence Barometer, garantiram que reavaliaram os planos de automação na medida em que os trabalhadores precisaram permanecer isolados por conta da disseminação da Covid-19.
Pós-pandemia essa tendência deve se manter para resolver outras vertentes trabalhistas, como a eliminação de condições de trabalho insalubres causadas por esforços repetitivos. A automação diminui gastos com segurança e saúde dos trabalhadores e eventuais processos trabalhistas por lesões.
Dentre os diversos fatores que embasam o investimento na automação de processos está a facilidade da aplicação e do uso da tecnologia e a segurança para esse tipo de manufatura.
A robotização garante ainda padronização de processos, o que auxilia no cumprimento de prazos em procedimentos como o de retorno de medicamentos controlados com vencimentos específicos.
Dentro da indústria farmacêutica os robôs têm múltiplas funções. Os setores inicialmente impactados pela tecnologia são os que retornam mais valor com base em processos repetitivos e de maior esforço da equipe.
Na logística reversa, por exemplo, a tecnologia pode organizar as etapas que envolvem a devolução de medicamentos. Além disso, garante fidelidade às exigências que devem ser seguidas como os critérios de devolução de medicamentos controlados, bem como a incineração.
Os robôs também otimizam processos administrativos com a emissão de relatórios, ativação de procedimentos, geração de pedidos de distribuidoras, aprovação e liberação de pedidos, controles específicos e criação de chamados.
Outro avanço pode acontecer nos processos de fim de linha como armação de caixas, carga e descarga de produtos e paletização. O uso de robôs elimina os riscos de contaminação e garante a continuidade dos processos sem interferência humana.
Para o consumidor final, a robotização pode proporcionar acesso a medicamentos no tempo adequado, o que gera melhores experiências de uso e consumo devido a agilidade no processo.
Tendências
De olho no movimento da indústria, há empresas que atuam no mercado com aluguel de robôs para operação em ambientes específicos. Neste caso, é preciso que a tecnologia alugada atenda às boas práticas de fabricação (BPF/GMP) do setor, previstas pela RDC 301 da Anvisa para regular o controle de qualidade no processo de embalagem de medicamentos.
Mesmo diante dessa possibilidade, que eliminaria investimentos de maior porte, a indústria farmacêutica no Brasil se mantém bastante heterogênea no processo de transformação digital. Ainda há boa parte do processo fabril com etapas analógicas.
Fonte: Revista AdNormas e InFor Channel/ Talk Science 29.06.2022
