Estudo do Instituto Lado a Lado pela Vida destaca resistência e preconceito em relação à saúde mental, apesar da crescente visibilidade do tema
A saúde mental, tema cada vez mais presente em discussões sociais, enfrenta desafios no Brasil, revela a pesquisa “A saúde do brasileiro” promovida pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, em parceria com o Qualibest. Apesar da ampla visibilidade nos noticiários e nas redes sociais, 76% dos entrevistados não buscam acompanhamento médico para a saúde mental.
O estudo, que contou com a participação de 815 respondentes, evidenciou que, embora 39% dos entrevistados se autoqualifiquem como tendo boa saúde mental, 34% revelam que a percebem como regular, ruim ou muito ruim. A pesquisa destaca uma lacuna preocupante na atenção dedicada a essa área da saúde, com apenas 23% da amostra afirmando fazer acompanhamento médico entre seis meses e mais de cinco anos.
A presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, Marlene Oliveira, expressa preocupação com a resistência e o preconceito associados ao cuidado com a saúde mental. “Os números da pesquisa apontam que os brasileiros ainda têm uma resistência grande para cuidar da saúde mental. Ainda existe um preconceito quando o assunto é tratamento para questões relacionadas à saúde mental. Como solução, precisamos informar melhor a sociedade e facilitar o acesso ao diagnóstico, aos acompanhamentos e tratamentos”.
Os sintomas da negligência em relação à saúde mental também foram evidenciados na pesquisa, com 38% dos entrevistados relatando ansiedade e 17% mencionando ter sentido depressão nos últimos cinco anos. Marlene Oliveira destaca a importância do diagnóstico correto e do tratamento adequado para fortalecer emocionalmente os pacientes e promover uma vida saudável.
A pesquisa revela, ainda, que políticas públicas são essenciais para atender às necessidades da população e reduzir o preconceito com transtornos mentais, especialmente no contexto pós-pandemia. Um recorte por gênero aponta diferenças nas percepções de homens e mulheres em relação à própria saúde mental, com destaque para a necessidade urgente de ações que promovam o cuidado e o entendimento da importância do tratamento.