O Brasil ampliou sua participação no cenário internacional e passou a ocupar a 12ª colocação no ranking global de estudos clínicos iniciados.
Estudo da Interfarma e IQVIA aponta que o país alcançou a 12ª posição mundial em estudos clínicos iniciados, refletindo os impactos do novo marco regulatório sobre inovação e atração de investimentos.
Os dados, apresentados pela Interfarma durante a BIO International Convention, nos Estados Unidos, indicam um avanço consistente do país na atração de pesquisas e investimentos voltados ao desenvolvimento de medicamentos e terapias inovadoras.
O levantamento, elaborado em parceria com a IQVIA, mostra que o Brasil evoluiu de forma gradual nos últimos anos. Após encerrar 2025 na 18ª posição, o país alcançou o 12º lugar já no primeiro trimestre de 2026, respondendo por 2,9% dos estudos clínicos registrados globalmente, com 51 protocolos iniciados no período.
Segundo a análise, a melhora do desempenho está diretamente relacionada aos efeitos do novo marco legal da pesquisa clínica, que promoveu maior previsibilidade regulatória e contribuiu para tornar o ambiente brasileiro mais competitivo perante centros internacionais de pesquisa.
Entre as principais mudanças está a possibilidade de realização simultânea das avaliações ética e regulatória, medida que reduziu o tempo necessário para aprovação dos estudos e aproximou o país das práticas adotadas em mercados mais consolidados. A simplificação dos processos é apontada como um dos fatores determinantes para ampliar o interesse de empresas e patrocinadores internacionais.
Além da evolução regulatória, o estudo destaca características estruturais que favorecem a realização de pesquisas clínicas no Brasil. A diversidade genética da população, o elevado número de potenciais participantes e os custos competitivos para condução dos estudos reforçam a atratividade do país frente a outros mercados internacionais.
A Interfarma avalia que esses fatores criam condições favoráveis para ampliar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, fortalecer os centros de investigação clínica e acelerar o acesso da população a medicamentos, vacinas e terapias inovadoras.
Embora os resultados indiquem uma trajetória positiva, a entidade ressalta que ainda existem oportunidades para expandir a capacidade nacional de pesquisa. Atualmente, grande parte dos estudos permanece concentrada na região Sudeste e no Rio Grande do Sul, cenário que evidencia o potencial de crescimento em outras regiões do país.
O estudo também observa que o avanço brasileiro ocorreu em um momento de retração no número global de estudos clínicos iniciados. Mesmo diante desse contexto, o Brasil registrou uma redução proporcionalmente menor do que a média internacional, melhorando sua participação relativa e reforçando sua posição como destino estratégico para investimentos da indústria farmacêutica.
Para o setor farmacêutico, os resultados sinalizam um ambiente regulatório mais eficiente e favorável à inovação, fortalecendo a capacidade do país de integrar programas globais de pesquisa clínica e ampliar sua relevância no desenvolvimento de novas soluções terapêuticas.