Estudo nacional aponta que 64% da população acredita que a atuação do farmacêutico reduz riscos do uso inadequado de medicamentos
Uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) em parceria com o DataFolha revelou que 64% dos brasileiros acreditam que a presença do farmacêutico contribui para a redução da automedicação. O levantamento, realizado em abril de 2025 com 2.009 pessoas em todas as regiões do país, foi divulgado em meio às ações do mês dedicado ao Uso Racional de Medicamentos.
O estudo também aponta que 54% dos entrevistados confiam na prescrição de medicamentos feita por farmacêuticos — percentual que chega a 56% na região Sudeste. Os dados reforçam a percepção positiva da população sobre o atendimento oferecido por esses profissionais, especialmente em um cenário em que a automedicação atinge mais de 90% dos brasileiros, segundo estudos anteriores do ICTQ e do Conselho Federal de Farmácia (CFF).
A pesquisa surge em um momento de controvérsia jurídica: três resoluções do CFF que regulamentam a prescrição farmacêutica estão temporariamente suspensas por liminares, após contestação do Conselho Federal de Medicina (CFM). O debate ignora, segundo o CFF, tanto os vetos à Lei do Ato Médico quanto a crescente qualificação da atuação clínica dos farmacêuticos, cujo currículo inclui anamnese, solicitação e interpretação de exames.
O estudo mostra ainda que 66% da população nas regiões Sudeste e Nordeste acredita que a atuação dos farmacêuticos como prescritores ajudaria a evitar a automedicação. Esses dados ganham relevância diante do atual contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), que gasta cerca de R$ 62 bilhões por ano com danos causados pelo uso incorreto de medicamentos — cinco vezes mais do que é investido na oferta gratuita de medicamentos à população.
A demora no acesso ao atendimento médico também agrava o quadro: o tempo médio de espera por uma consulta no SUS é de 57 dias, podendo ultrapassar 150 dias no Distrito Federal. Nesse cenário, a presença de farmacêuticos em unidades de saúde e farmácias representa uma alternativa acessível, imediata e segura para a população brasileira.