Projeção aponta impacto de tarifas, patentes e pressões fiscais sobre capacidade produtiva e investimentos em P&D em 2026.
Relatório recente da Crédito y Caución projeta que a produção farmacêutica global sofrerá uma desaceleração significativa em 2026, com crescimento estimado em apenas 1,6%, em forte contraste com o aumento de 9,1% observado em 2025.
A análise, divulgada no final de janeiro, indica que esse ajuste reflete tanto o efeito de políticas tarifárias quanto desafios estruturais que atingem a cadeia produtiva global.
Estimativas preliminares apontam que a indústria farmacêutica enfrenta pressões por cortes de gastos públicos em saúde, expiração de patentes de produtos-chave, especialmente em áreas terapêuticas de alto valor como oncologia e metabolismo, e competitividade crescente de mercados asiáticos e norte-americanos. Fatores que podem restringir investimentos significativos em produção industrial e P&D no curto prazo.
O estudo destaca que, apesar da sólida liquidez e solvência financeira da maioria das empresas farmacêuticas, a combinação de tarifas impostas por políticas comerciais, incluindo medidas anunciadas pelos Estados Unidos para tributar medicamentos de marca ou patenteados não produzidos localmente, e a perda iminente de exclusividades de mercado podem influenciar decisões de realocação de fábricas e ajustes de capacidade produtiva.
Na União Europeia, por exemplo, a previsão de expansão da produção está mais moderada, com projeção de crescimento inferior a 4%, reflexo da concorrência de polos de produção fora do continente.
Especialistas que acompanham a indústria interpretam o cenário de 2026 como um período de transição, em que fatores macroeconômicos, geopolíticos e de regulação comercial terão peso expressivo na expansão produtiva dos grandes grupos farmacêuticos.
Apesar das projeções conservadoras para a produção, segmentos da cadeia como biotecnologia, terapias avançadas e mercados emergentes podem continuar a atrair investimentos, abrindo espaço para estratégias de adaptação e inovação no médio prazo.