Estudo aponta crescimento sustentado por terapias inovadoras, avanço da China e pressão de políticas comerciais sobre preços e acesso.
O novo levantamento do IQVIA Institute traça um panorama detalhado sobre o uso e os gastos globais com medicamentos até 2030, destacando transformações estruturais na dinâmica de acesso, precificação e inovação farmacêutica. O estudo indica que o mercado poderá superar US$ 2,6 trilhões em gastos anuais até o fim da década, com taxa média de crescimento entre 5% e 8% ao ano.
Segundo o relatório, o volume global de consumo deve se aproximar de 4 trilhões de doses diárias definidas até 2030. Quando ajustado pelo crescimento populacional, no entanto, o avanço per capita tende a ser mais moderado, evidenciando que parte relevante da expansão decorre do aumento demográfico — especialmente em mercados emergentes.
A China é apontada como o principal vetor de expansão desde 2020 e deve quase dobrar seu nível de uso de medicamentos em relação à base daquele ano. Em contraste, regiões maduras como América do Norte, Europa Ocidental e Japão apresentam crescimento mais contido, refletindo a estabilização típica de sistemas de saúde consolidados.
No campo dos gastos, o impulso continuará concentrado em terapias inovadoras, sobretudo em oncologia, imunologia, diabetes e obesidade. A introdução de novos produtos e a migração para tratamentos de maior custo unitário compensam, em parte, os efeitos da perda de exclusividade de patentes e da expansão de biossimilares.
O estudo também destaca a influência crescente de políticas comerciais e tarifárias — incluindo propostas nos Estados Unidos voltadas à precificação internacional —, que podem redesenhar fluxos de mercado e impactar estratégias globais de lançamento e posicionamento.
Para profissionais da indústria e especialistas em marketing, o cenário aponta para um ambiente mais competitivo e segmentado, em que diferenciação terapêutica, gestão de portfólio e estratégias de acesso serão determinantes para capturar valor em um mercado cada vez mais orientado por inovação, regulação e sustentabilidade financeira dos sistemas de saúde.