Relatório da Mordor Intelligence aponta crescimento de 25% no setor de medicamentos isentos de prescrição, impulsionado por novos formatos de dosagem e canais digitais
O mercado global de medicamentos isentos de prescrição (OTC) projeta uma trajetória de crescimento consistente para os próximos anos. Avaliado em US$ 195,96 bilhões em 2025, o setor deve saltar de US$ 204,91 bilhões em 2026 para atingir US$ 256,18 bilhões até 2031, representando uma expansão de 25% no período. De acordo com o relatório da Mordor Intelligence, o avanço estrutural é sustentado pela disposição do consumidor em adotar o autocuidado para condições de menor gravidade. Esse comportamento alivia a pressão sobre os sistemas de atenção primária à saúde e abre oportunidades para indústrias que simplificam a experiência de escolha no ponto de venda.
A evolução do segmento também é impulsionada pela flexibilização regulatória, que tem permitido a transição de moléculas complexas do canal de prescrição para o de venda livre. Diante disso, os fabricantes reformulam estratégias para marcas maduras e investem em formatos de dosagem que se alinham a rituais diários de bem-estar, como gomas, pastilhas mastigáveis e adesivos. Nessa nova dinâmica de consumo, atributos como sabor, conveniência e experiência do usuário competem diretamente com a eficácia do produto no momento da decisão de compra.
Tendências de consumo, formulação e canais de distribuição
As análises de inteligência de mercado detalham as principais forças que moldam o futuro da categoria de OTC até 2031:
Categorias e Formulações: Os medicamentos para tosse, resfriado e gripe lideraram o faturamento recente com 22,85% de participação. No entanto, o segmento de vitaminas, minerais e suplementos apresenta forte aceleração, com taxa de crescimento anual composta (CAGR) estimada em 7,52%. Embora os comprimidos tradicionais dominem as vendas, os formatos de gomas e mastigáveis são os que mais crescem, registrando um CAGR de 9,35%.
Canais e Fontes: As redes de farmácias físicas concentraram 41,95% da receita global. Em contrapartida, as farmácias online ganham capilaridade e avançam a um ritmo de 9,95% ao ano. No portfólio de produtos, as alternativas naturais e fitoterápicas começam a desafiar a hegemonia dos sintéticos, liderando o potencial de expansão com um CAGR de 8,88%.
Perfil Demográfico: O público adulto responde por mais de 60% do consumo corrente. Contudo, o segmento geriátrico (65+) é a vertente de maior aceleração, com crescimento anual de 8,16%, demandando inovações em embalagens ergonômicas e facilidade de leitura para o gerenciamento da polifarmácia.
Autonomia estratégica e novas frentes de mercado
A consolidação do autocuidado modifica inclusive a prática clínica. Dados da indústria indicam que 81% dos consumidores utilizam um medicamento OTC como primeira resposta a sintomas leves. Esse hábito tem levado a comunidade médica a enquadrar a recomendação de venda livre como etapa inicial de protocolos terapêuticos integrados, reservando fármacos de tarja para intervenções de maior complexidade. A tendência é bem-vista por operadoras de saúde e fontes pagadoras, uma vez que introduz o desembolso privado direto e reduz os custos com reembolsos assistenciais.
No cenário corporativo, o mercado de OTC caracteriza-se pela fragmentação, onde o valor de marca sobrepõe-se à escala pura. Movimentos globais recentes confirmam essa tendência de especialização, como o desmembramento da Haleon pela GSK e da Kenvue pela Johnson & Johnson. A criação de estruturas independentes garante autonomia estratégica para as divisões de saúde do consumidor, permitindo que orçamentos de pesquisa e desenvolvimento sejam alocados diretamente em inovações de OTC, sem a necessidade de competir por recursos com pipelines farmacêuticos tradicionais de alta margem.