Avanço tecnológico liderado por grandes varejistas redesenha o mercado farmacêutico americano
A disputa pela modernização dos serviços farmacêuticos nos Estados Unidos tem sido impulsionada por gigantes do varejo como Amazon e Walmart. Ambas as empresas vêm adotando soluções digitais integradas que combinam conveniência, preços competitivos e experiência personalizada, redefinindo o papel das farmácias no cotidiano da população.
De acordo com informações do Diário do Comércio, a Amazon tem ampliado seu ecossistema de saúde por meio do Amazon One Medical, plataforma que oferece desde consultas médicas virtuais até a entrega rápida de medicamentos via Amazon Pharmacy. O sistema permite agendamento de atendimentos em até 30 minutos e garante a entrega de medicamentos no mesmo dia em 40 cidades dos EUA.
A experiência pode ser contratada como plano contínuo ou serviço avulso, com emissão de receitas para casos simples e encaminhamento para clínicas parceiras quando necessário.
“A proposta é modernizar a farmácia com tecnologia, sem abrir mão do cuidado clínico”, afirma John Love, vice-presidente do Amazon Pharmacy. Segundo ele, os usuários têm acesso contínuo a farmacêuticos e à entrega de medicamentos com poucos cliques, refletindo uma nova lógica de atendimento centrada na conveniência.
O Walmart, por sua vez, aposta na integração de diferentes serviços dentro de uma jornada de compra unificada. Combinando supermercado, farmácia e outros segmentos em um único ponto de venda, a empresa busca atender à demanda por praticidade. Segundo dados da companhia, sete em cada oito consumidores escolhem sua farmácia com base na conveniência.
A empresa também investe em soluções digitais, como o aplicativo MyHealthJourney, que reúne dados médicos do usuário, como histórico de exames, informações de seguro saúde e lembretes de consultas, fortalecendo o papel do varejo na gestão da saúde pessoal.
Enquanto isso, redes tradicionais enfrentam o desafio de se adaptar à nova realidade. A CVS Health, por exemplo, encerrou cerca de 600 unidades em 2024 e iniciou uma reestruturação com foco em pontos de venda mais enxutos e especializados. A companhia também lançou um aplicativo para ampliar sua atuação digital.
“A CVS tem enfrentado dificuldades no varejo físico e adotou mudanças para se manter competitiva, mas o avanço de players digitais e concorrentes como o Walmart ainda impõe forte pressão”, analisa Neil Saunders, diretor da consultoria GlobalData.
A movimentação evidencia uma mudança estrutural no setor, em que a combinação entre tecnologia, conveniência e foco no cuidado integrado se torna essencial para manter a relevância em um mercado cada vez mais digitalizado.