Setor aposta em incentivos à manufatura avançada, estímulos fiscais e simplificação regulatória para ganhar escala internacional.
Com ambições claras de ampliar sua presença no cenário global, a indústria biofarmacêutica indiana deposita grandes expectativas no Orçamento do ano fiscal 2026–2027. Empresas e lideranças do setor defendem um pacote de medidas capaz de impulsionar a manufatura farmacêutica avançada, fortalecer startups de biotecnologia, ampliar o acesso a capital e reduzir entraves regulatórios que hoje limitam a velocidade de inovação.
Em um contexto marcado por novos acordos comerciais e pela necessidade de diversificação das exportações, o segmento avalia como positivo o impacto do programa de Incentivo à Produção (PLI), especialmente no avanço dos genéricos. No entanto, executivos alertam que o foco global está migrando para terapias de próxima geração, o que exige a ampliação do escopo do programa para áreas como biossimilares, biológicos, peptídeos, terapias celulares e gênicas, além de processos industriais baseados em química verde e fabricação contínua.
Outro ponto central do debate envolve ajustes no regime tributário. Representantes do setor defendem a revisão de prazos e critérios para acesso a alíquotas reduzidas de imposto corporativo, hoje mais favoráveis a empresas já estabelecidas. A flexibilização dessas regras é vista como essencial para viabilizar novos projetos industriais e sustentar o crescimento de empresas emergentes, que operam com ciclos longos de maturação e alto risco tecnológico.
O investimento em inovação também aparece como prioridade estratégica. Líderes da indústria defendem a retomada de incentivos fiscais robustos para pesquisa e desenvolvimento, além da criação de uma missão nacional dedicada às ciências da vida e à biotecnologia, com recursos direcionados à pesquisa translacional, geração de propriedade intelectual e preparação regulatória para mercados internacionais.
No campo regulatório, a expectativa é por avanços significativos na simplificação de licenças e na centralização de aprovações. Hoje, a fragmentação regulatória entre estados e órgãos federais é apontada como um dos principais fatores de atraso e aumento de custos, levando algumas empresas a priorizar outros mercados. A aceleração dos prazos de aprovação e a racionalização de exigências adicionais são vistas como decisivas para consolidar a Índia como polo global de pesquisa clínica e produção biofarmacêutica.
Por fim, o setor também busca soluções para restrições de capital, defendendo a manutenção de mecanismos de apoio orçamentário e incentivos à captação de recursos internacionais. Para startups de biotecnologia, em especial, o acesso a financiamento de longo prazo e a custos competitivos é considerado vital para transformar inovação científica em produtos escaláveis e comercialmente viáveis.
Diante desse cenário, o Orçamento de 2026 é encarado como um ponto de inflexão para a biofarma indiana, com potencial de redefinir sua posição nas cadeias globais de valor e acelerar a transição do país de polo de genéricos para protagonista em inovação de alto valor agregado.