O Instituto Latino-americano de Sepse (ILAS), em parceria com a Sepsis Alliance, a UK Sepsis Trust e com o apoio da bioMérieux e Pfizer, lançou uma campanha nacional para promover o uso responsável e o descarte adequado de antibióticos.
A ação, que vai até o dia 31 de janeiro de 2025, tem como objetivo aumentar a conscientização sobre a resistência antimicrobiana (RAM) e como atitudes cotidianas podem contribuir para o enfrentamento desse problema crescente.
Com o nome “Não tome de forma errada”, a campanha foca em três principais diretrizes: consultar o médico sobre a real necessidade de usar antibióticos, concluir o tratamento completo conforme prescrição e, por fim, descartar os antibióticos não utilizados de maneira responsável. Daniela Carla de Souza, médica pediátrica e presidente do ILAS, reforça que os antibióticos não devem ser descartados em lixo comum, pia ou vaso sanitário, pois esses resíduos podem contaminar o meio ambiente, como rios e solos, agravando a resistência antimicrobiana.
Riscos da resistência antimicrobiana e suas consequências
A resistência antimicrobiana ocorre quando microrganismos, como bactérias e vírus, desenvolvem mecanismos que tornam os tratamentos atuais ineficazes. Isso dificulta o tratamento de infecções e pode tornar algumas doenças muito mais graves e até fatais. A sepse, uma complicação da infecção, é um exemplo claro de como a resistência pode levar a consequências perigosas.
A resistência antimicrobiana é uma realidade urgente: em 2019, o Brasil registrou 171 mil mortes relacionadas ao problema. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que até 2050, a resistência antimicrobiana pode resultar em até 10 milhões de mortes por ano.
A campanha busca, portanto, esclarecer a população sobre como os antibióticos devem ser usados adequadamente e destacar a importância do cuidado diário no combate à resistência antimicrobiana. Dados da Sepsis Alliance revelam que, apesar de sua gravidade, um em cada três adultos não tem conhecimento sobre a resistência antimicrobiana, e muitos desconhecem a sepse como uma possível complicação de infecções.
Com essas ações, a campanha espera reduzir os impactos da resistência antimicrobiana, promovendo uma utilização mais consciente e segura desses medicamentos essenciais para o tratamento de diversas infecções.