Com investimento superior a R$ 100 milhões em P&D, farmacêutica brasileira estrutura expansão fabril e prepara ofensiva internacional para medicamento inovador em regeneração medular
A Cristália se prepara para um novo ciclo de expansão impulsionado pelo avanço clínico da polilaminina, medicamento inovador voltado à regeneração da medula espinhal. Após mais de três décadas de pesquisa conduzida pela cientista Tatiana Sampaio e investimentos superiores a R$ 100 milhões desde 2018, a companhia estrutura sua capacidade produtiva para atender uma demanda potencial tanto no Brasil quanto no exterior, enquanto aguarda o registro definitivo da Anvisa.
A expectativa da empresa é que a aprovação regulatória ocorra entre o fim de 2026 e 2027. Antecipando esse movimento, a farmacêutica já iniciou a formação de estoque estratégico do princípio ativo e prepara uma ampliação relevante de seu parque fabril. Entre as iniciativas está a aquisição de uma unidade industrial em Jaguariúna (SP), anteriormente pertencente à Takeda, além do projeto de construção de uma nova planta dedicada à produção do insumo farmacêutico ativo (IFA), em Itapira (SP).
Com faturamento de R$ 4,5 bilhões em 2025 e caixa de aproximadamente R$ 5 bilhões, a companhia sinaliza que não pretende limitar investimentos para garantir escala produtiva. O plano inclui ainda a expansão de acordos internacionais de distribuição, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, onde parceiros locais deverão conduzir os processos regulatórios e a comercialização.
No Brasil, a estratégia contempla a incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS) após o registro definitivo, ampliando o acesso por meio de compras governamentais. Paralelamente, a Anvisa já autorizou o uso compassivo da polilaminina em pacientes elegíveis, o que tem permitido aplicações controladas dentro dos protocolos clínicos.
A polilaminina é produzida a partir da laminina, proteína extraída da placenta humana. O processo de extração e polimerização foi desenvolvido pela própria Cristália, que detém a exclusividade de produção do princípio ativo. A empresa afirma possuir patentes nacionais e internacionais que asseguram proteção até 2042 no Brasil e 2043 no exterior.
Atualmente com nove fábricas e um portfólio superior a 350 medicamentos, a Cristália atua nos segmentos hospitalar, farmacêutico e oftalmológico. Em 2024, inaugurou ainda uma unidade em Montes Claros (MG) para produção de toxina botulínica, ampliando sua presença também no mercado estético-terapêutico — movimento acompanhado de planos para expandir a produção de biomedicamentos.
Além do impacto clínico, a companhia avalia que o avanço da polilaminina pode reposicionar sua imagem no cenário internacional, fortalecendo a percepção de inovação tecnológica e impulsionando outras linhas do portfólio. Há ainda estudos preliminares para investigar novas indicações terapêuticas associadas ao potencial regenerativo da molécula.
Para o setor farmacêutico, o movimento sinaliza a consolidação de uma estratégia que combina inovação científica, proteção intelectual robusta e expansão industrial acelerada — elementos que posicionam a Cristália em um novo patamar competitivo no mercado global de terapias avançadas.