Estudo mostra pulverização do mercado e diferenças regionais no consumo de medicamentos no Brasil.
A dipirona, em diferentes versões e laboratórios, consolidou-se como o medicamento mais vendido nas farmácias brasileiras no primeiro semestre de 2025, segundo levantamento realizado pela epharma. O ranking evidencia a predominância de analgésicos e anti-inflamatórios no varejo farmacêutico, seguidos por antidiabéticos e medicamentos para tratamento do hipotireoidismo.
A lista dos dez produtos mais comercializados inclui dipirona sódica (EMS, Medley e Prati), Glifage XR, Puran T4, Dorflex, Novalgina, cetoprofeno (Medley), levotiroxina (Merck) e Forxiga. Juntos, esses medicamentos representaram pouco mais de 6% do total de vendas no período, o que reforça o caráter altamente pulverizado do mercado nacional sendo que o líder isolado respondeu por pouco mais de 1% das unidades comercializadas.
Para Wilson de Oliveira Junior, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da epharma, os dados confirmam um cenário de diversidade no consumo: “Mesmo entre os dez mais vendidos, a representatividade é baixa. Isso ressalta a complexidade do mercado e a importância de análises detalhadas para embasar estratégias de acesso, políticas de saúde e sustentabilidade do setor”.
O estudo também revelou recortes de gênero. Entre as mulheres, o Puran T4 (para tratamento de hipotireoidismo) representou 61,67% das vendas, enquanto, entre os homens, a Novalgina foi a mais adquirida, com 51,59%.
No recorte regional, o perfil de consumo mostrou forte heterogeneidade:
• Sudeste: dipirona sódica (EMS) em primeiro lugar, seguida por antidiabéticos e medicamentos para tireoide.
• Centro-Oeste: dipirona sódica (EMS) também liderou, com 2,26% das vendas, acompanhada por medicamentos para TDAH e obesidade.
• Nordeste: Dorflex foi o destaque, com 1,52% das vendas no período.
• Sul: Glifage XR liderou, com 1,18% de participação, além de alta procura por vitamina D e medicamentos para hipertensão.
• Norte: pregabalina e Durateston (testosterona) se destacaram, com 2,05% do total comercializado.
O levantamento reforça que, embora os analgésicos mantenham liderança nacional, cada região apresenta padrões específicos de consumo, exigindo estratégias diferenciadas para a gestão de acesso, marketing e políticas públicas de saúde.