Dono das Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo prevê que, com o desenvolvimento de vacinas e testes de covid-19, farmácias terão maior relevância.
Com mais de 1.400 lojas físicas e uma tradição de atendimento presencial, o grupo DPSP estava apenas no início de seu processo de digitalização quando a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil. Nos últimos meses, as vendas pelo comércio eletrônico da rede de farmácias triplicaram.
Mesmo assim, Marcelo Doll, presidente da rede de farmácias, acredita que o futuro do setor está nas lojas físicas, que ganharão novos papéis e ainda mais relevância daqui para a frente. O grupo, que nasceu em 2011 com a fusão das redes Drogaria Pacheco e Drogaria São Paulo, está presente em oito estados do Brasil além do Distrito Federal. No ano passado, o faturamento foi de 10 bilhões de reais.
Mais digital
O setor é historicamente pouco digitalizado e a DPSP iniciou o processo de digitalização há cerca de um ano com investimentos maiores no comércio eletrônico. Nesse período, o aplicativo chegou a 1,5 milhão de downloads e, desde o começo da quarentena, as vendas digitais cresceram 300% e chegaram a cerca de 6% do total.
Outra mudança, acelerada com a pandemia, foi o uso da prescrição eletrônica. No grupo DPSP, a prescrição eletrônica começou a ser testada em um projeto piloto de 30 lojas do grupo. Hoje, todas as unidades já estão aptas a receber essa receita e já foram feitas mais de 20.000 transações.
Para o presidente, a digitalização precisa levar em consideração um valor forte no mercado de farmácias: o relacionamento entre cliente e farmacêutico. Mais do que ser um vendedor, o farmacêutico entrega informações sobre saúde e forma uma relação de confiança com o cliente.
Por isso, o comércio eletrônico é mais pessoal. As lojas disponibilizam um número de Whatsapp para que os consumidores conversem com os balconistas e fazem as próprias entregas no bairro em um raio de 500 metros, sem depender de um sistema de logística central. A colombiana Rappi é a parceira do grupo para entregas mais distantes.
Com o desenvolvimento de vacinas e medicamentos contra a covid-19, as farmácias ganharão mais um papel, acredita Doll, de prevenção ao novo coronavírus. Também podem ser usadas para coletar os testes e enviar aos laboratórios, essenciais para a reabertura econômica. “Cuidar da saúde nunca foi tão importante e nosso papel como grupo farmacêutico ganha maior relevância.”
Maior demanda
Doll lidera o grupo de farmácias desde 2016 e antes disso atuou no varejo de moda, na C&A e na Pernambucanas. Na pandemia da gripe suína H1N1, em 2009, estava liderando a C&A no México. “Na ocasião, tivemos uma quarentena mais leve, com o comércio parcialmente fechado. Quando o tsunami do coronavírus chegou ao Brasil, tínhamos um pouco mais de experiência”, diz.
Um dos maiores desafios no início era garantir o abastecimento de itens que, da noite para o dia, passaram a ser mais procurados por consumidores, como remédios para abastecer o estoque caseiro e contra gripe. A DPSP antecipou 30 dias de compras desses itens e sentiu picos de demanda com alta de 30% a 35% nas vendas. Para dar conta, aumentou o número de turnos e estendeu o horário de trabalho e funcionamento das lojas.
Com a pandemia, cerca de 95% das 1.400 lojas do grupo se mantiveram abertas, com a exceção de algumas unidades em shopping centers.
Fonte: Exame 06.06.2020
