Governo zera alíquota de importação para insumos da farmacêutica brasileira visando garantir a produção de tratamentos para diabetes e obesidade
A EMS obteve uma vitória estratégica com a decisão do governo federal de zerar o imposto de importação sobre componentes essenciais para a fabricação de suas canetas emagrecedoras. A medida, aprovada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), reduz a alíquota de 14,4% para 0% por um período de um ano. Com uma cota limitada a 30 milhões de unidades, o benefício visa suprir a ausência de produção nacional desses insumos e garantir a continuidade do tratamento de doenças crônicas no país.
Os componentes são fundamentais para que a EMS produza os dispositivos aplicadores de liraglutida e semaglutida, ativos centrais no combate à obesidade e ao diabetes. Atualmente, a farmacêutica brasileira depende do fornecimento externo, majoritariamente da China, para compor o sistema de dosagem das canetas. O governo justificou a isenção parcial como uma medida de saúde pública, reforçando a essencialidade do produto para o controle metabólico da população.
Aposta bilionária na produção nacional
A EMS já destinou R$ 1,2 bilhão para viabilizar a produção nacional de semaglutida, incluindo a modernização e ampliação de sua planta industrial em Hortolândia (SP). A unidade fabril está sendo preparada para entregar até 20 milhões de canetas anuais, posicionando a empresa como uma das protagonistas no mercado pós-expiração da patente da Novo Nordisk. O investimento busca garantir autonomia tecnológica e reduzir a dependência de componentes importados a longo prazo.
Enquanto usufrui do incentivo fiscal, a EMS aguarda a conclusão do processo regulatório na Anvisa. O pedido de registro da companhia é um dos três mais avançados entre as 17 solicitações em análise na agência. A expectativa é que, com a liberação regulatória e o apoio tributário, a farmacêutica consiga introduzir versões similares de alta tecnologia no mercado brasileiro ainda no primeiro semestre, ampliando o acesso a terapias modernas com maior competitividade.