A falsificação de medicamentos voltou ao centro das atenções do setor farmacêutico e vem levando entidades da distribuição, indústria e do varejo a redobrar esforços e articulações para atenuar esse cenário.
O problema ganhou contornos ainda mais graves a partir do crescimento acelerado de terapias de alto valor – especialmente os fármacos da classe GLP-1 –, fragilidades na cadeia logística e a movimentação de novos canais de acesso como os marketplaces.
Embora o debate recente envolva a atuação de plataformas digitais, especialistas e entidades do setor reforçam que o problema é sistêmico e exige uma abordagem mais ampla, que contemple desde a produção até a dispensação ao paciente.
Dados internacionais ajudam a dimensionar o desafio. Segundo a Organização das Nações Unidas, cerca de um em cada dez medicamentos comercializados em países de baixa e média renda é falsificado ou de baixa qualidade. No ambiente online, as vendas digitais já respondem por 36% dos produtos falsificados, mas esse é apenas um dos vetores de um mercado ilegal altamente estruturado.
No Brasil, o prejuízo estimado com medicamentos e produtos hospitalares falsificados chega a R$ 11,5 bilhões, refletindo não apenas perdas financeiras, mas riscos diretos à saúde da população. A dificuldade de identificação por parte do consumidor agrava o panorama. De acordo com o Procon, 63% das pessoas já receberam produtos falsificados, o que evidencia falhas nos mecanismos de controle e fiscalização.