Levantamento revela alta na busca por tratamento entre profissionais economicamente ativos e reforça impacto do burnout no mercado de trabalho
Um estudo realizado pela epharma, plataforma de gestão de benefícios em saúde, revela um aumento expressivo no volume de compra de medicamentos psiquiátricos no Brasil. Entre 2022 e 2025, o crescimento acumulado foi de 25%, enquanto a comparação anual entre 2024 e 2025 registrou uma alta de 4,5%. O levantamento utilizou dados de beneficiários do Programa de Benefícios em Medicamentos (PBM) corporativo em todas as regiões do país.
O perfil de consumo destaca que a maior procura ocorre entre pessoas de 26 a 45 anos, faixa que compõe a parcela economicamente ativa da população. Este dado converge com indicadores do Ministério da Previdência Social, que apontaram um salto de 493% na concessão de auxílios doença por burnout entre 2021 e 2024. Os antidepressivos figuram como a classe de fármacos mais consumida dentro do segmento.
Fatores sociais e regulação no ambiente de trabalho
De acordo com o psiquiatra Rodrigo Martins Leite, do IPq do Hospital das Clínicas da USP, o aumento na demanda reflete não apenas crises agudas, mas a busca pela manutenção da performance profissional e pessoal, além da redução do estigma sobre a saúde mental. Para a epharma, fatores como a pressão por desempenho e o custo de vida crescente são determinantes para a exposição crônica ao esgotamento.
O cenário regulatório também deve impulsionar o setor. A atualização da NR 1, que entra em vigor em maio de 2026, obriga a inclusão de riscos psicossociais, como estresse e sobrecarga, nas diretrizes de segurança do trabalho. Christiano Fonseca Moreira, diretor da epharma, acredita que a implementação da norma e a maior adesão das empresas a recursos de apoio psicológico elevarão ainda mais a busca por tratamentos especializados e suporte medicamentoso no ambiente corporativo.