Presidente da Marpa, Valdomiro Soares, discute os impactos dessa decisão e a importância da propriedade intelectual no setor
A decisão que revoga a exclusividade da Novo Nordisk sobre os medicamentos Ozempic e Rybelsus marca um ponto de virada no cenário farmacêutico. A decisão judicial estabelece o fim da exclusividade da Novo Nordisk sobre o Ozempic a partir do próximo ano, enquanto a patente do Rybelsus será perdida em 2026. Valdomiro Soares, presidente da Marpa, marcas e patentes, especialista em propriedade intelectual, discute os impactos dessa decisão e a importância da propriedade intelectual no setor.
Essa medida abre espaço para a produção desses medicamentos por outras empresas, prevendo uma potencial redução de até 50% nos preços, conforme as expectativas do setor. “A perda da exclusividade da Novo Nordisk é emblemática, pois destaca a importância da perda de patentes como um meio de promover a concorrência e o acesso mais amplo a tratamentos essenciais. A propriedade intelectual é crucial, mas a quebra de patentes pode catalisar inovações e melhorar a acessibilidade”, frisou.
Soares enfatiza que a entrada de novos competidores no mercado não apenas impulsiona a competição, mas também incentiva a inovação. “A competição resultante da quebra de patentes muitas vezes leva a avanços significativos, beneficiando tanto os consumidores quanto a indústria. No entanto, é vital encontrar um equilíbrio entre a proteção intelectual e o acesso público aos tratamentos”, reforçou.
O Ozempic, com sua demanda expressiva, tem sido um destaque no tratamento da diabetes e é reconhecido por seus benefícios adicionais, incluindo a contribuição para a perda de peso. A dificuldade recentemente relatada por pacientes de diabetes em encontrar o medicamento nas farmácias destaca a relevância dessa mudança para garantir uma oferta mais robusta.
“A perda de patentes é um fenômeno complexo, mas quando bem gerenciada, pode equilibrar a proteção intelectual com a necessidade de acessibilidade a medicamentos essenciais. A indústria farmacêutica e os reguladores devem continuar a dialogar para encontrar soluções que beneficiem todas as partes envolvidas”, concluiu.