Medicação semanal baseada em agonistas de amilina mostra resultados expressivos e pode reforçar combinações terapêuticas com GLP-1.
A Eli Lilly amplia seu portfólio de terapias voltadas ao tratamento da obesidade com o desenvolvimento da eloralintida, novo medicamento administrado semanalmente que demonstrou potencial para reduzir até 20% do peso corporal em estudo clínico de fase avançada. O fármaco integra a próxima geração de soluções da companhia americana, que também está na fase final de testes com a orforgliprona, comprimido diário que pode chegar ao mercado nos próximos anos.
Diferentemente dos análogos de GLP-1 como semaglutida e tirzepatida, a eloralintida atua como agonista seletivo do receptor de amilina, hormônio produzido pelo pâncreas e diretamente relacionado à regulação da saciedade, do esvaziamento gástrico e da necessidade energética. Ao mimetizar a ação da amilina no cérebro, o medicamento modula os sinais de fome em um mecanismo complementar ao dos fármacos baseados em GLP-1.
Os resultados foram publicados no periódico The Lancet, a partir de um estudo multicêntrico realizado em 46 centros médicos nos Estados Unidos, envolvendo 263 adultos com obesidade ou sobrepeso e comorbidades associadas. As diferentes dosagens testadas de 1 mg a 9 mg mostraram reduções de peso diretamente proporcionais à dose, com queda média de 20% no grupo de maior concentração, frente a 0,4% no placebo. Os eventos adversos mais frequentes foram náusea e fadiga, considerados manejáveis pelos pesquisadores.
Especialistas apontam que a eloralintida pode ganhar relevância estratégica caso seja confirmada sua ação sinérgica com os agonistas de GLP-1 utilizados atualmente, como a semaglutida e a própria tirzepatida. A Lilly já conduz estudos para avaliar o uso combinado da eloralintida com o Mounjaro, o que pode abrir caminho para resultados superiores aos obtidos com terapias isoladas.
Paralelamente, a orforgliprona o candidato oral da companhia mostrou reduções superiores a 10% do peso corporal em pesquisa publicada no The New England Journal of Medicine e aproxima-se de submissão regulatória prevista para o final de 2025 ou início de 2026.
Com múltiplos projetos avançando simultaneamente, a Eli Lilly consolida sua posição no competitivo mercado global de medicamentos contra obesidade, impulsionado por forte demanda, inovação contínua e expectativas crescentes de expansão terapêutica.