Paulo Pêgo-Fernandes fala sobre os diferentes tipos de intervenção cirúrgica no tórax e comenta sobre o lançamento do Atlas Multimídia de Cirurgia Torácica.
Um grupo de especialistas do Instituto do Coração e Hospital das Clínicas lançou o Atlas Multimídia de Cirurgia Torácica, uma publicação que reúne informações e experiências acumuladas em mais de sete décadas de atuação neste que é o maior complexo hospitalar da América Latina.
O professor Paulo Pêgo-Fernandes, chefe da divisão de Cirurgia Torácica do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e editor do Atlas, expõe o conteúdo do livro: “São mais de 200 vídeos e áudios com conteúdo, além de ter um atlas de técnica cirúrgica bem detalhado ponto a ponto.
Mas acho que o grande diferencial disso é que, além dos desenhos e dos esquemas, nós temos QRcodes que são vídeos interativos. Você tem um vídeo e alguém experiente vai fazendo a cirurgia passo a passo e dá dicas, eu não conheço nenhum livro nem em nível internacional da especialidade de cirurgia de tórax que tenha isso”.
O Atlas tem como público-alvo cirurgiões torácicos, desde os recém-formados, os que ainda estão em período de residência, até aqueles que se formaram há muito tempo e buscam conhecer novas técnicas de cirurgia.
Evolução da cirurgia de tórax
Por ano, são feitas mais de mil cirurgias desse tipo. O especialista comenta sobre os diversos métodos a que a cirurgia recorre, métodos esses que são contemplados no Atlas: “Se a gente for pegar do ponto de vista histórico, ela [cirurgia de tórax] começa praticamente no século 20 e, no início do século, se tratava muito tuberculose, sequelas da tuberculose.
Naquele período não havia tratamento medicamentoso, remédios para tuberculose, e boa parte das grandes complicações precisava de cirurgia de tórax. Isso foi mudando, na década de 1980 apareceu a videocirurgia, videolaparoscopia, a videotórax e isso foi uma enorme mudança, foi talvez a segunda grande revolução da cirurgia de tórax e a terceira que a gente tem passado agora é o uso de robô”. Os robôs têm ganho espaço especialmente em tratamento de tumores, segundo o professor.
Necessidades do paciente
Diante de tantas opções de cirurgia, é essencial conhecer esses métodos e saber quais aplicar em diferentes pacientes, com suas diferentes necessidades: “O que você tem que fazer do ponto de vista da medicina na cirurgia de tórax e nas outras áreas é saber o que é melhor para aquele caso especificamente, para aquele paciente especificamente. Você, tendo acesso a todas as modalidades, consegue escolher adequadamente para aquele paciente”, e ressalta que um tratamento não substitui o outro, mas as indicações podem variar.
Fonte: Jornal da USP 29.05.2023
