A criação de um novo centro de pesquisa voltado à transformação de plantas brasileiras em potenciais medicamentos reforça o movimento de valorização da biodiversidade como ativo estratégico para a indústria farmacêutica nacional.
A iniciativa tem como foco identificar moléculas presentes em espécies nativas com potencial terapêutico, abrindo caminho para o desenvolvimento de novos insumos farmacêuticos ativos (IFAs).
Instalado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, o projeto reúne esforços de instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial e o Ministério da Saúde, com investimento inicial de cerca de R$ 60 milhões. A proposta é atuar principalmente nas etapas iniciais da cadeia de inovação, incluindo identificação de compostos, validação científica e estudos pré-clínicos.
Entre as frentes prioritárias estão pesquisas em oncologia e infecções emergentes, com projetos já em andamento envolvendo moléculas extraídas da biodiversidade brasileira — como uma substância da Caatinga com potencial imunológico e compostos derivados de microrganismos para tratamento de sepse.
Apesar do potencial estratégico, o desenvolvimento de medicamentos a partir dessas descobertas ainda depende de etapas longas, como testes clínicos, aprovação regulatória e viabilização industrial. Nesse sentido, o centro também busca atuar na chamada transição entre pesquisa e produção – um dos principais gargalos do setor –, aproximando ciência e indústria.
Isso tudo acontece em um momento de elevada dependência externa. Atualmente, mais de 90% dos IFAs usados no Brasil são importados, principalmente de países asiáticos. Ao apostar na bioeconomia e na inovação local, a iniciativa sinaliza um esforço de longo prazo para fortalecer a autonomia produtiva do país e ampliar sua competitividade no cenário farmacêutico global.