Shirlene Telmos Silva de Lima e Vânia Angélica Feitosa Viana atuam no Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará
Duas subvariantes de Covid-19 foram identificadas pela primeira vez no território brasileiro, no Ceará. Já identificadas em outros países, as subvariantes JN.1 e BA.2.86.1 foram descobertas no Brasil por duas farmacêuticas. De acordo com a Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa) as novas subvariantes em circulação podem ser as responsáveis pelo aumento dos casos da doença no estado.
O sequenciamento genético que resultou na identificação das duas linhagens antes não circulantes no Brasil foi realizado no Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (LACEN/CE) pelas farmacêuticas Shirlene Telmos Silva de Lima e Vânia Angélica Feitosa Viana. O LACEN/CE faz parte da Rede Nacional de Sequenciamento Genético para a Vigilância em Saúde e desde dezembro de 2021 vem realizando sequenciamentos de nova geração no sequenciador MiSeq Illumina.
Shirlene Telmos Silva de Lima explica que a identificação ocorreu por meio do Sequenciamento de Nova Geração (NGS – Next Generation Sequencing). “Essa é uma técnica onde determinamos a sequência exata de nucleotídeos em uma molécula de DNA. As amostras positivas de Covid-19, dentro dos critérios de elegibilidade, são sequenciadas e comparadas a uma sequência de referência do vírus estudado. Dessa forma, podemos observar o aparecimento de mutações em partes importantes do genoma estudado.”
De 47 amostras colhidas em vários municípios do Ceará entre os dias 5 e 25 de novembro, 38 apontaram a presença da subvariante JN.1 e uma a presença da subvariante BA.2.86.1. “Esse trabalho é importante para o monitoramento do padrão de circulação das variantes e linhagens do vírus, o que auxilia a vigilância genômica do estado a ter subsídios para desenvolver suas tomadas de ação em tempo hábil e oportuno, tentando interromper o ciclo da transmissão da Covid-19 e evitar o aumento no número de casos. Também é importante para ajudar a entender a dispersão do vírus no passado e detectar a introdução de novas variantes ou linhagens”, destaca Shirlene Telmos.
Fonte: Guia da Farmácia 05.12.2023
