Adoção do sistema, antes comum no food service, ganha tração no varejo farmacêutico, impulsionada por mudanças no comportamento do consumidor e estratégias de expansão de grandes redes
O conceito de drive-thru, tradicionalmente associado ao setor de alimentação, tem sido cada vez mais incorporado pelas farmácias e drogarias brasileiras como uma alternativa estratégica para agregar valor à jornada de compra. Voltado à conveniência e à economia de tempo, o formato permite ao consumidor adquirir medicamentos e itens de perfumaria sem precisar sair do carro característica que se alinha ao novo perfil de consumo acelerado, sobretudo após a pandemia.
Referência no segmento, a Drogaria Araujo foi pioneira ao implantar o sistema no Brasil, ainda em 1998, em Belo Horizonte (MG). O projeto nasceu a partir de uma análise de mercado internacional. “A Drogaria Araujo fez uma pesquisa no mercado norte-americano e, inspirada em lojas de fora, trouxe esse modelo para o Brasil. Então, além do drive-thru, era uma drugstore”, afirma Carlos Alexandre Lopes Ferreira, superintendente de Operações e Vendas da rede.
Nos últimos anos, outras grandes redes como Farmácias São João, Drogal, Drogarias Catedral e Grupo DPSP (Drogarias Pacheco e São Paulo) passaram a investir no modelo, impulsionadas pelas transformações provocadas pela pandemia de Covid-19. O contexto sanitário serviu de gatilho para acelerar a adoção do drive-thru, transformando-o em um canal de atendimento essencial em diversas localidades.
A experiência da Drogaria Araujo ilustra esse movimento: antes da pandemia, a rede registrava entre 1.200 e 1.500 atendimentos diários via drive-thru; atualmente, esse número supera os 4.500 por dia, atendendo cerca de 150 mil clientes ao mês. “A Araujo já tinha esse serviço consolidado, mas a pandemia potencializou. Hoje temos 37 lojas com drive-thru em 15 cidades mineiras”, detalha o executivo.
A tendência também tem sido explorada pelo Grupo DPSP, que inaugurou sua primeira unidade com drive-thru no Rio de Janeiro. A proposta vai além da simples retirada de produtos. “Entendemos o drive-thru como uma das formas de cuidado. Ele funciona tanto como ponto de venda quanto de retirada, integrando-se à estratégia de modernização da rede”, explica Bruna Costa, diretora de operações do grupo.
A executiva destaca ainda o investimento em hubs de saúde dentro das unidades, oferecendo serviços como aplicação de vacinas, testes laboratoriais e exames rápidos o que reforça o posicionamento da marca como provedora de soluções completas em saúde.
Minas Gerais se tornou um polo de expansão para as duas redes. Enquanto a Drogarias Pacheco lançou sua primeira unidade com drive-thru em Belo Horizonte, no bairro de Itapoã, a Araujo mira o Triângulo Mineiro. A rede planeja desembarcar em Uberlândia no segundo semestre de 2025, mantendo o foco tanto em novas localidades quanto na ampliação da operação onde já atua.