Grandes redes farmacêuticas no Brasil alcançam marcos de vendas e expandem presença no mercado
As principais redes farmacêuticas do Brasil se destacam no atual cenário do varejo nacional. Em 2024, as 29 empresas associadas à Abrafarma esperam ultrapassar R$ 100 bilhões em vendas brutas. Em cinco anos, essas redes devem quase dobrar seu tamanho, com uma taxa de crescimento superior à do setor de atacado alimentar, que se beneficia da demanda por preços baixos em tempos de crise.
Essas empresas representaram aproximadamente 45% do faturamento total das farmácias em 2023, e a participação cresceu para 46,5% este ano. Esse aumento vem em detrimento das drogarias de bairro, que são pequenas, frequentemente familiares, e enfrentam dificuldades em termos de escala, acesso a capital e crédito.
No ano passado, o setor de varejo farmacêutico movimentou R$ 199 bilhões no Brasil, conforme dados da IQVIA, consultoria especializada em saúde. As associadas da Abrafarma sozinhas geraram R$ 90 bilhões em vendas.
“Com o crescimento atual, acreditamos que em três anos representaremos mais de 50% do faturamento total do setor no país”, afirma Sergio Mena Barreto, presidente da Abrafarma. A concentração de mercado é significativa, com as 29 redes controlando 10,3 mil pontos de venda, o que corresponde a 70% das farmácias urbanas do Brasil.
Concorrência intensa
Apesar do crescimento, há uma forte competição dentro do setor, principalmente entre as grandes redes em mercados mais ricos como São Paulo e Rio de Janeiro. Também existe uma disputa acirrada entre essas redes e as médias empresas associativas, que colaboram para obter melhores preços.
As pequenas farmácias, com uma ou duas lojas, compõem quase 56% do total de pontos de venda no Brasil, mas representam apenas 16% do volume de vendas.
Dados que serão divulgados hoje durante o evento anual do setor em São Paulo indicam que, de janeiro a junho, as redes associadas à Abrafarma cresceram 14,2% em termos nominais em comparação a 2023, alcançando R$ 49,6 bilhões. Neste ano, o reajuste de preços de medicamentos chegou a 4,5%, conforme autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Expectativas e tendências
A previsão para 2024 é que as redes farmacêuticas cresçam cerca de 14%, seguindo uma aceleração de 12,7% em 2023. Se confirmado, isso representará um ganho real (ajustado pela inflação) de 9,5% a 10%.
A Raia Drogasil teve um crescimento de 15,4% de janeiro a junho, enquanto a Nissei, do Paraná, com 430 lojas, avançou 14,5%. A Pague Menos, maior rede do Nordeste, registrou um crescimento mais modesto de 10%.
O envelhecimento acelerado da população brasileira tem impactado positivamente o setor. O índice de envelhecimento indica que há 55 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 crianças de 0 a 14 anos, um aumento em relação a 2010. Além disso, a precariedade do atendimento básico à saúde em algumas regiões faz com que farmácias se tornem o principal ponto de acesso a serviços de saúde, apesar das restrições legais.
Aspectos Estratégicos
Ana Paula Tozzi, presidente da AGR Consultoria, destaca que o setor farmacêutico se beneficia de sua resiliência. “Por vender itens essenciais, o setor absorve receita de outros segmentos durante crises. Além disso, a introdução de novos produtos e serviços nas lojas, como exames clínicos e vacinas, contribui para o crescimento”, afirma.
Desde agosto de 2023, a Anvisa autorizou as farmácias a oferecer exames clínicos, incluindo testes simples e complexos, e algumas redes já estão oferecendo serviços como exames de DNA. A competição para atrair clientes de medicamentos de uso contínuo também está em alta.
O crescimento do comércio eletrônico também tem sido significativo, com vendas passando de R$ 1 bilhão anuais para R$ 12 bilhões. As grandes redes, com mais recursos, conseguiram aproveitar melhor essa tendência.
Promoções e Desafios
Um relatório da IQVIA revela que o investimento em promoções pelas redes farmacêuticas retornou aos níveis pré-pandemia mais rapidamente no Brasil do que em outros países da América Latina.
No entanto, algumas redes com marcas populares enfrentam dificuldades, como as redes Poupa Farma e Santa Marta, que buscaram recuperação judicial.
Barreto observa que as grandes redes farmacêuticas não estão imunes aos desafios econômicos gerais, como o aumento das taxas de juros e o endividamento das famílias, que afetaram a renda e as vendas. Há discussões em andamento sobre como melhorar a eficiência e reduzir custos, como a implementação de bulas digitais, um projeto aprovado pela Anvisa que será discutido no evento “Abrafarma Future Trends” em São Paulo.