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Março é o mês de conscientização do câncer renal. Em estudo publicado no periódico Nature Communications, pesquisadores relataram que superexpressão simultânea de quatro genes específicos em pacientes com tipo mais comum de câncer renal sugere maior risco de desenvolver metástase e menor sobrevida.
O câncer de rim está entre os 10 tipos mais frequentes da doença. A forma mais comum da condição é o carcinoma renal de células claras (CRCC), correspondendo a cerca de 75% dos casos. “Na maior parte deles, quando o tumor está confinado aos rins, o prognóstico é geralmente favorável. Mas em cerca de um terço dos pacientes, quando há metástase para os ossos, a taxa de sobrevivência em cinco anos é de cerca de 10%, somente”, afirma a médica nefrologista Dra. Caroline Reigada, especialista em Medicina Intensiva pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira. Segundo estudo publicado em outubro no periódico Nature Communications, entre pacientes com câncer renal, a atividade de quatro genes específicos nas células cancerígenas pode predizer o risco de metástase e as chances de sobrevivência do paciente.
A descoberta foi feita a partir da análise das amostras de tecidos tumorais, além de tecidos saudáveis próximos, coletadas de nove pacientes diagnosticados com CRCC. As diferentes amostras de cada paciente foram comparadas por meio de uma análise de célula única. “A análise de célula única é uma técnica de sequenciamento que torna possível a investigação de cada uma das células do tecido, assim como dos genes que expressam”, explica a especialista. Os pesquisadores também comparam os tecidos tumorais do rim com tecidos de metástase óssea. A partir disso, foi possível detectar uma assinatura genética consistente de quatro genes (SAA1, SAA2, APOL1 e MET) que prediz as chances de metástase óssea do tumor e de sobrevivência do paciente. A superexpressão simultânea desses genes sugere que o paciente tem maior risco de desenvolver metástase e menor sobrevida. “Esses genes podem se tornar uma ferramenta para aumentar nossa compreensão sobre o curso da doença ainda no estágio inicial, possibilitando que pacientes com alta probabilidade de metástase sejam monitorados mais de perto para que qualquer crescimento da doença seja detectado e tratado rapidamente”, destaca a Dra Caroline.
Através de simulações computacionais de interações celulares, o estudo ainda demonstrou de que maneira o microambiente do tumor inibe o sistema imune e os pesquisadores sugeriram, com base nessa descoberta, diversas possibilidades de drogas que podem ser investigadas futuramente para o tratamento da condição. “Não é incomum que as células cancerígenas desenvolvam resistência ao tratamento com imunoterapia, que figura entre as técnicas mais importantes para pacientes com CRCC, o que, em parte, pode estar relacionado justamente ao microambiente tumoral, isto é, condições do ambiente ao redor das células cancerígenas que podem favorecer mutações e prejudicar o combate ao tumor. Então, estudos como esse, que nos ajudam a entender mais profundamente como as células cancerígenas interagem com seu microambiente, são de grande importância, podendo contribuir, inclusive, para a elaboração de novas maneiras para tratar a reincidência e a disseminação do câncer renal”, completa a Dra. Caroline Reigada. Agora a próxima etapa do estudo, segundo os pesquisadores, é investigar como os tecidos de metástase óssea se diferem daqueles de tumores no rim e de ossos saudáveis para encontrar o motivo pelo qual a imunoterapia não funciona em alguns pacientes com câncer renal.