Novo Nordisk apresenta proposta superior pela biotech de obesidade e Pfizer move ações na Justiça dos Estados Unidos
Uma intensa disputa no mercado de tratamentos contra obesidade colocou as gigantes farmacêuticas Pfizer e Novo Nordisk em um confronto judicial pela aquisição da startup Metsera. O centro da controvérsia é a corrida global por medicamentos análogos ao GLP-1, hoje dominada pela empresa dinamarquesa.
A Metsera confirmou ter recebido uma nova proposta de compra classificada como “superior” da Novo Nordisk, que pode alcançar US$ 10 bilhões. A nova oferta supera a proposta revisada da Pfizer, avaliada em cerca de US$ 8,1 bilhões. O movimento da Novo Nordisk desencadeou a janela contratual para que a Pfizer renegociasse o acordo de fusão que havia sido anunciado originalmente em setembro por valores inferiores.
A disputa escalou rapidamente para a esfera judicial. A Pfizer abriu duas ações judiciais nos Estados Unidos para impedir que a Metsera rescindisse o acordo existente. A farmacêutica americana alega que a tentativa da Novo Nordisk de cobrir a oferta seria anticompetitiva e poderia consolidar ainda mais a posição dominante da dinamarquesa no mercado global de medicamentos para obesidade. A Novo Nordisk refutou as alegações, classificando as como “infundadas”.
O ativo estratégico da Metsera
Fundada em 2022, a Metsera desenvolve tratamentos orais e injetáveis para perda de peso, com destaque para um medicamento de aplicação mensal. Se bem-sucedida, essa posologia poderia reduzir a frequência das injeções semanais de produtos como Ozempic e Wegovy.
Para a Pfizer, a aquisição representa uma oportunidade crucial de entrar de forma relevante no mercado de obesidade, após o encerramento de dois projetos próprios por questões de segurança. Já a Novo Nordisk busca proteger seu terreno contra a crescente concorrência de players como Eli Lilly, Amgen e Roche.
Analistas apontam que o potencial da Metsera reside principalmente na viabilidade da posologia mensal, embora o negócio envolva riscos regulatórios. O CFO da Pfizer, Dave Denton, reforçou a postura agressiva da companhia: “Não vamos desistir da disputa”, afirmando que a empresa utilizará todos os recursos legais disponíveis.