Com expectativa de aprovação da Anvisa em 2026, companhia se prepara para disputar um dos segmentos mais lucrativos do setor farmacêutico, impulsionado por terapias à base de GLP-1.
A Hypera Pharma se posiciona para ingressar no mercado de medicamentos à base de semaglutida assim que expirar a patente da molécula no Brasil, prevista para março de 2026. A empresa acredita que poderá figurar entre as primeiras a competir em uma categoria com faturamento anual estimado em bilhões de reais, impulsionada pela crescente demanda por terapias voltadas ao controle de peso e doenças metabólicas.
Durante conferência com analistas sobre os resultados do terceiro trimestre, o CEO da companhia, Breno de Oliveira, afirmou que, embora os processos de aprovação da Anvisa estejam mais lentos do que o projetado inicialmente, a expectativa é de que o cenário regulatório se torne mais ágil ao longo dos próximos meses. “Temos boas perspectivas de redução na fila da agência, o que deve nos permitir antecipar lançamentos estratégicos”, destacou o executivo.
De acordo com Oliveira, o mercado de medicamentos análogos ao GLP-1 movimenta cerca de R$10 bilhões por ano, representando aproximadamente 8% do setor farmacêutico brasileiro. A semaglutida, princípio ativo que deverá ganhar novas versões genéricas e similares após a queda da patente, responde por cerca da metade desse montante. “Nosso foco é participar com marca própria, estrutura de visitação médica robusta e margens competitivas”, reforçou.
O executivo também sinalizou que os parceiros produtivos da Hypera não preveem restrições de capacidade, o que garante flexibilidade para atender à demanda esperada.
Quanto ao desempenho recente, Oliveira mencionou que as temperaturas mais baixas registradas em regiões-chave, como São Paulo, impactaram o consumo de determinados medicamentos, mantendo o ritmo de crescimento do quarto trimestre em linha com o observado no período anterior.
No terceiro trimestre, o “sell-out vendas de farmácias ao consumidor final avançou 8,3% em comparação ao mesmo período de 2024, com destaque para os antigripais. Já no segmento institucional, a farmacêutica busca maior competitividade em preços de moléculas com capacidade ociosa, enquanto mantém o foco de longo prazo na expansão do mercado privado.
“Nosso crescimento futuro virá majoritariamente do setor privado e da entrada em categorias estratégicas, como a de oncológicos, cujos primeiros lançamentos estão previstos para 2026”, concluiu Oliveira.