Demanda por terapias hormonais e medicamentos inovadores impulsiona crescimento em saúde feminina
O mercado global voltado ao tratamento da menopausa deve atingir US$ 30,5 bilhões até 2032, segundo projeção do Data Bridge Market Research. Atualmente estimado em US$ 18,85 bilhões anuais, o setor apresenta taxa de crescimento médio de 6,2% ao ano, impulsionado pela busca por tratamentos para sintomas vasomotores, como ondas de calor, sudorese noturna e distúrbios do sono.
O envelhecimento populacional e a maior participação feminina no mercado de trabalho contribuem para o avanço desse segmento, que engloba desde a terapia de reposição hormonal (TRH) até novas alternativas medicamentosas.
Bayer aposta em inovação com Elinzanetant
Entre as grandes farmacêuticas que vêm ampliando sua atuação no setor, a Bayer destaca-se com o Elinzanetant, um medicamento não hormonal que atua como antagonista do receptor de neurocinina, bloqueando os sintomas vasomotores. Desenvolvido após a aquisição da KaNDy Therapeutics por US$ 425 milhões em 2020, o produto está em fase final de testes clínicos com 2.400 mulheres em 30 países. O pedido de registro foi apresentado à FDA em 2023, e também há estudos em andamento para avaliar seu impacto em distúrbios de sono relacionados à menopausa.
Segundo Adib Jacob, presidente da divisão farmacêutica da Bayer no Brasil, essa abordagem representa uma alternativa à TRH, especialmente para mulheres com histórico de câncer de mama, para as quais o tratamento hormonal é contraindicado.
Mercado brasileiro acompanha tendência global
No Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres estão no climatério, conforme dados do IBGE. Globalmente, a estimativa é de que 1 bilhão de pessoas vivam essa fase da vida até 2030, de acordo com a Sociedade Norte-Americana de Menopausa (NAMS).
Em paralelo às inovações, a TRH permanece como principal estratégia terapêutica. A Bayer, por exemplo, recebeu recentemente a indicação da Anvisa para o uso do dispositivo intrauterino Mirena como opção hormonal para mulheres na menopausa.
Crescimento da Besins no Brasil
Outro destaque é a atuação da farmacêutica francesa Besins Healthcare, que registrou aumento de 75% nas vendas de produtos para menopausa no país. Seu carro-chefe é o Oestrogel, um gel transdérmico com menor impacto hepático. Segundo Laurena Magnoni, gerente-geral da empresa, o Brasil é o terceiro maior mercado global da Besins, atrás apenas de Inglaterra e Alemanha. A empresa mantém fábrica em Jundiaí (SP) e pretende ampliar sua presença no setor público.
A executiva enfatiza a abordagem integral para o cuidado da mulher madura, que vai além da TRH. “É atividade física, alimentação equilibrada e suplementação. Tenho 62 anos e continuo liderando a empresa com qualidade de vida”, afirma.
Com a expansão da saúde feminina como prioridade, o setor deve seguir em crescimento, atraindo investimentos em medicamentos, suplementos e tecnologias voltadas à longevidade com bem-estar.