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    Ciência & Tecnologia

    Mobius lança teste que identifica bactéria que pode causar câncer de estômago

    By Janaina15/06/2023Nenhum comentário6 Mins Read

    Por apresentar resultados rápidos, ter maior precisão e indicar resistência a antibiótico utilizado no combate à bactéria H. pylori, exames moleculares garantem mais agilidade ao tratamento

    No Brasil, a bactéria Helicobacter pylori é responsável por mais de 60% dos casos de câncer de estômago. Apesar de a bactéria ser encontrada em habitantes dos cinco continentes, a infecção causada por ela prevalece mais nos países em desenvolvimento. No Brasil, a prevalência média é estimada em 71,2% e entre as doenças que podem ser originadas pela H. pylori, a gastrite crônica é uma delas, além de úlcera péptica, duodenal, até câncer e linfoma gástrico.

    Diante desse cenário, testes de PCR em tempo real possuem alta sensibilidade, projetados para a identificação específica do H. pylori e resistência à Claritromicina em fragmentos do tecido gástrico de pacientes com sintomas gastrointestinais. As soluções auxiliam  na conduta médica, direcionando os pacientes ao tratamento eficaz, com maior agilidade. A Mobius, que oferece soluções para diagnóstico molecular, soma mais de duas décadas de atuação, desenvolvendo e comercializando produtos destinados ao segmento de medicina diagnóstica. A empresa acaba de lançar o Kit Master H.pylori para identificação do H.pylori. Além dele, o GenoType HelicoDR também faz parte das soluções disponibilizadas para todo o Brasil.

    O exame é altamente confiável, baseado em PCR em tempo real, e fornece resultados rápidos, sensíveis e precisos. A solução identifica a presença do H. pylori em fragmentos  de estômago e mostra se as bactérias são resistentes à Claritromicina. Tudo isso contribui para que o paciente receba o melhor tratamento. Além disso, os reagentes de PCR podem ser armazenados em temperatura ambiente até seu primeiro uso e possuem um fluxo de bancada simplificado,  possibilitando o diagnóstico em 1 hora e meia.

    O diagnóstico assertivo pode direcionar o tratamento e reduzir a incidência de câncer, porque nos casos de gastrite não atrófica, por exemplo, a erradicação do H. pylori interrompe a sequência de eventos da Cascata de Correa, que culminaria no câncer gástrico. No último consenso de Kyoto (2015) propõe-se que todos os indivíduos infectados devam ser tratados, exceto nos casos em que existam contraindicações ao tratamento.

    Atualmente, vários ensaios diagnósticos para detecção da H. pylori estão disponíveis e agrupados como “invasivos” ou “não invasivos”. Os métodos invasivos incluem histologia, cultura e teste rápido da urease, que requerem amostras de  fragmento gástrico obtidas por gastroduodenoscopia. Abordagens não invasivas incluem detecção do antígeno fecal, teste sorológico e teste respiratório  com ureia marcada, entre outros.

    O kit GenoType HelicoDR (fita HAIN – já presente no portfólio Mobius) é capaz de realizar a detecção molecular simultânea de resistência à claritromicina e/ou às fluoroquinolonas pela detecção das mutações mais comuns no gene gyrA; e resistência à claritromicina pela detecção das mutações mais comuns no gene rRNA 23S, incluindo a diferenciação dos seus 4 tipos selvagens, tornando possível detectar simultaneamente diferentes infecções ou cepas heterogêneas. Sua tecnologia é baseada na tecnologia de PCR e DNA-STRIP. O DNA é extraído a partir de amostras gástricas ou cultura primária, amplificado por PCR e detectado em uma membrana strip utilizando hibridização reversa e uma reação de coloração enzimática. Resultados válidos são documentados por controles internos, conjugados e controle de amplificação.

    A solução fornece vantagens em relação ao tempo de processamento reduzido, facilidade na análise do resultado, alta sensibilidade e 100% de especificidade para os alvos pesquisados.

    Já o Kit Master H. pylori + resistência à Claritromicina, lançamento da Mobius, é um exame altamente confiável, baseado em PCR em tempo real, que fornece resultados rápidos, sensíveis e precisos. Além de identificar a presença de H. pylori em fragmentos de estômago, o kit mostra se as bactérias são resistentes à Claritromicina. Tudo isso contribui para que o paciente receba  um tratamento individualizado.

    Epidemiologia 

    A infecção provocada pela bactéria é responsável por cerca de 50% de todos os cânceres gástricos no mundo. Isso corresponde a quase 350 mil casos da doença anualmente. Esse tipo de câncer é a segunda causa de morte no mundo, com incidência de 800 mil casos por ano. A infecção pelo H. pylori está associada a um risco duas vezes maior para o desenvolvimento do problema. Acredita-se que mais de um terço dos carcinomas gástricos seja atribuído à infecção pela doença.

    A prevalência da infecção pelo H. pylori varia com a idade, características de saúde e com o nível socioeconômico das pessoas. Segundo o último Consenso Brasileiro sobre infecção por H. pylori, a prevalência é de 50% em crianças de 2 a 5 anos e 70 a 90% nas menores de 10 anos.
    Em países em desenvolvimento e em subcontinentes, como a América Central e a América do Sul, a porcentagem de pessoas infectadas gira em torno de 70% e 90%. Na Ásia, o índice varia entre 50% e 80%. Na Europa Oriental, 70%, e na Europa Ocidental a porcentagem fica entre 30 e 50%. Já em países desenvolvidos, esse percentual cai drasticamente. No Canadá e nos Estados Unidos, esse valor corresponde a 30% e na Austrália cerca de 20% da população é infectada pelo H. pylori. Os principais fatores de risco para adquirir a infecção são o status sanitário e socioeconômico baixos.

    70% da população brasileira pode estar infectada pela bactéria

    A H. pylori é uma bactéria que vive na superfície da mucosa gástrica e desenvolveu mecanismos de defesa que a permitem sobreviver no ambiente ácido e inóspito do estômago. “A gastrite induzida por ela é uma das infecções crônicas mais comuns na espécie humana. Estima-se que, aproximadamente, 70% da população brasileira esteja infectada por esta bactéria, mas por razões ainda desconhecidas, enquanto algumas pessoas são assintomáticas, outras desenvolvem gastrites, úlceras e até mesmo câncer gástrico”, diz Cristiane Nagasako, médica gastroenterologista.

    A gastroenterologista lembra que, desde 1994, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, da Organização Mundial de Saúde (OMS), reconhece a H. pylori como um agente cancerígeno do tipo 1, ou seja, uma bactéria relacionada ao câncer em humanos. Quando a bactéria acomete, mesmo não desenvolvendo câncer gástrico, os pacientes podem sofrer com um aumento da prevalência da chamada atrofia gástrica, que aumentaria o risco de desenvolver, posteriormente, adenocarcinoma gástrico, responsável por causar cerca de 95% dos casos de tumor do estômago.

    Tratamento

    O tratamento da H. pylori é feito principalmente com antibióticos. E o sucesso na erradicação depende da aderência ao tratamento e da sensibilidade da bactéria ao fármaco escolhido. A presença de resistência a determinados antibióticos reduz drasticamente a chance de eliminar a bactéria.

    De acordo com o IV Consenso Brasileiro, no tratamento de primeira linha utiliza-se o esquema tríplice (Claritromicina, Amoxicilina e inibidor de bomba de prótons). Entretanto, a resistência antibiótica vem aumentando mundialmente e se mostra como um dos principais fatores determinantes para a dificuldade de erradicação do H. pylori.

    O uso crescente de antibióticos para tratamento de diversos tipos de infecções, tem contribuído para a ocorrência de mutações espontâneas que conferem resistência ao genótipo e fenótipo H. pylori e o impacto direto dessas mutações é o surgimento de cepas resistentes ao composto.

    Em regiões com resistência à Claritromicina acima de 15%, recomenda-se o uso de esquemas antibióticos alternativos, dada a alta taxa de insucesso na erradicação. Em algumas regiões brasileiras, a resistência ultrapassou 16% e há uma tendência mundial do aumento progressivo desta taxa.

    Mobius
    Janaina

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