Iniciativa combina semaglutida e acompanhamento clínico para gerar evidências sobre o tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde.
A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk anunciou a implementação de um programa piloto de acesso ao medicamento Wegovy em unidades da rede pública de saúde no Brasil. A iniciativa integra um projeto internacional desenvolvido em parceria com o governo da Dinamarca e também será conduzida em regiões do Pacífico e no próprio território dinamarquês.
O programa prevê a disponibilização do tratamento com semaglutida associada a um protocolo estruturado de acompanhamento multidisciplinar por, no mínimo, dois anos. A proposta inclui monitoramento clínico e suporte especializado para pacientes diagnosticados com obesidade grave.
No Brasil, a farmacêutica informou que o projeto envolve instituições públicas em diferentes esferas administrativas. Entre os centros confirmados estão o Grupo Hospitalar Conceição, localizado em Porto Alegre, e o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione, situado na cidade do Rio de Janeiro. Um terceiro centro de atendimento, vinculado à administração municipal, ainda deverá ser definido.
Entretanto, a Fundação Saúde do Estado do Rio de Janeiro, responsável pela gestão do instituto carioca, informou que não há parceria formalizada com a farmacêutica até o momento. Segundo a entidade, o ambulatório da instituição já utilizou anteriormente a liraglutida no tratamento de aproximadamente 200 pacientes com obesidade severa e conduz atualmente um processo licitatório para possível aquisição da semaglutida.
De acordo com a fundação, o perfil de pacientes atendidos pela unidade contempla casos de obesidade extrema, com índice de massa corporal superior a 50 kg/m². A indicação terapêutica é definida pela equipe médica responsável, considerando as características clínicas individuais de cada paciente.
O projeto da Novo Nordisk foi apresentado ao Ministério da Saúde do Brasil, que acompanhará os resultados da implementação, embora não participe diretamente da parceria. Os pacientes incluídos no programa serão selecionados entre aqueles já atendidos pelas instituições participantes, e cada centro estabelecerá seus próprios critérios de elegibilidade.
Além do fornecimento do medicamento, a farmacêutica também pretende apoiar a capacitação de profissionais de saúde, contribuir para a gestão do cuidado clínico e financiar o monitoramento independente dos dados gerados durante o projeto. O acompanhamento será conduzido por parceiros técnicos e acadêmicos.
A expectativa é que a iniciativa gere evidências clínicas, econômicas e sociais relevantes sobre o tratamento da obesidade grave no Sistema Único de Saúde, contribuindo para futuras decisões relacionadas à incorporação de novas tecnologias terapêuticas no sistema público brasileiro.