O Ministério da Saúde oficializou uma nova Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) que marca um avanço estratégico na fabricação de insulina glargina no Brasil.
A colaboração firmada com Bio-Manguinhos (Fiocruz), a empresa nacional Biomm e a farmacêutica chinesa Gan&Lee tem como objetivo entregar 20 milhões de frascos do medicamento ainda em 2025, ampliando o acesso ao tratamento de diabetes tipo 1 e 2 no Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 20 milhões de brasileiros convivem com a doença.
A iniciativa integra a agenda do governo federal para reduzir a dependência externa de insumos estratégicos, ao mesmo tempo em que estimula a inovação, a geração de emprego e o fortalecimento da indústria nacional. “Cada passo que tomamos no Ministério da Saúde é guiado pelo esforço de ampliar o acesso à saúde e à tecnologia. A produção local é fundamental para garantir atendimento efetivo na ponta”, afirmou o ministro Alexandre Padilha.
Foco na nacionalização e fortalecimento regional
Inicialmente, a insulina será embalada na fábrica da Biomm, localizada em Nova Lima (MG), inaugurada em 2024. O local marca a retomada da produção nacional do hormônio após duas décadas de interrupção. A instalação possui capacidade para suprir toda a demanda interna por insulina glargina.
A próxima etapa será a transferência integral da tecnologia de produção do insumo, hoje sob domínio da Gan&Lee, para o Brasil, sob responsabilidade da Fiocruz. O Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) será produzido em Eusébio, no Ceará, onde será construída a primeira planta de fabricação de insulina da América Latina, com apoio de mais de R$ 930 milhões do Novo PAC. O local será essencial para compor uma cadeia produtiva 100% brasileira, com potencial de produção anual de até 70 milhões de unidades em até 10 anos.
Além de reduzir a vulnerabilidade do país a crises globais de abastecimento, a nova fábrica posiciona o Ceará como um novo polo produtivo dentro do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, gerando impacto direto no desenvolvimento regional.
SUS amplia acesso a insulinas análogas
O SUS atualmente oferece quatro tipos de insulina: NPH, regular, análogas de ação rápida e prolongada, além de medicamentos orais e injetáveis para controle do diabetes. Em novembro de 2024, a Conitec recomendou a ampliação do uso de insulinas análogas também para pacientes com diabetes tipo 2, reforçando a importância da produção nacional diante da crescente demanda.
Rosane Cuber, diretora-adjunta de Bio-Manguinhos, destacou a experiência da instituição em PDPs e transferência de tecnologia. “Vamos internalizar essa novidade dentro do prazo e beneficiar milhões de brasileiros com acesso a medicamentos de qualidade”, declarou.
O projeto representa mais um passo decisivo para garantir a autonomia produtiva do Brasil em saúde e para assegurar o abastecimento contínuo do SUS frente aos desafios futuros.