Um estudo realizado pelo Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, mostrou que 71,8% dos idosos internados usaram ao menos um medicamento ambientalmente inapropriado (MPI), ou seja, substâncias que podem causar efeitos adversos em pacientes da terceira idade.
Uma pesquisa publicada no Journal of the American Medical Directors Association (JAMDA), acordada o uso recorrente de remédios como omeprazol, que pode ser prejudicial quando prescrito sem necessidade.
Pedro Curiati, geriatra e autor do estudo, explicou que o omeprazol, frequentemente prescrito para refluxo e úlceras, é comumente utilizado sem seleções adequadas, o que pode aumentar o risco de problemas cognitivos e dificultar a ingestão de vitamina B12. Além disso, a redução da acidez estomacal pode causar pneumonia por broncoaspiração em idosos com refluxo.
O estudo, que analisou quase 15 mil internações, utilizou inteligência artificial para emitir alertas sempre que um MPI fosse prescrito. Esses alertas foram associados ao maior tempo de internação e complicações, como quedas, confusão mental e até óbitos. Ao todo, 14.560 admissões foram comprovadas entre agosto de 2022 e julho de 2023, sendo que 71,8% das prescrições continham um MPI.
Curiati destacou a importância de uma prescrição criteriosa, especialmente em pacientes idosos, e espera que a conscientização sobre os riscos dos MPIs se estenda para outras áreas da medicina.